Como foi o segundo turno da campanha entre Flávio e Lula
Últimas atualizações em 25/10/2026 – 04:00 Por Gazeta do Povo | Feed
Se o primeiro turno das eleições 2026 para presidente da República foi ofuscado pela crise no Supremo Tribunal Federal (STF), o segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve todos os elementos — ou quase todos — de uma típica campanha do tamanho da disputa que termina neste domingo (25). Ataques, acusações, debates, manifestações, exércitos digitais, decisões judiciais… Nada disso faltou. As propostas é que foram jogadas para segundo plano.
Mal havia terminado o primeiro turno, com o candidato do PL ficando na frente do petista, o tom subiu quase que automaticamente. O confronto passou a ser, de fato, no um contra um, sem distrações de outros candidatos que participaram de uma eleição que já estava fadada a ser de Flávio e Lula.
“É o fim da era do PT. Está decretado o fim da era do PT, a mudança no nosso país. A era do PT que só está deixando como legado um recorde de mulheres assassinadas, um recorde de brasileiros endividados, um recorde de altos impostos, um recorde de desesperança, um recorde de empresas fechadas”, declarou Flávio Bolsonaro após os resultados do primeiro turno.
“O segundo turno é a prova dos nove”, disse Lula. “Apenas entre dois candidatos a gente vai poder mostrar a diferença das propostas que a gente tem para o Brasil”, completou o petista que colocou o oponente como representante de um “passado tenebroso”, em referência ao pai dele, Jair Bolsonaro.
É um contra um, mas Flávio se adiantou e conseguiu o apoio de quase todos que ficaram pelo caminho. Teve o aval de Ronaldo Caiado (PSD), de Romeu Zema (Novo) e de Augusto Cury (Avante). Só não conseguiu convencer Renan Santos (Missão), que colocou o senador como alvo principal, chegando a dizer que ele é “o mais corrupto da família Bolsonaro.”
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Lula apostou em medidas populares para elevar popularidade
Assim como já havia feito no primeiro turno, com reajuste do Bolsa Família e outras bondades, Lula manteve a estratégia de anunciar benefícios para a população nas semanas que antecederam a chegada do segundo turno.
Em poucos dias, ele zerou impostos federais sobre a gasolina, ampliou o programa Pé-de-Meia para universitários e perdoou a dívida dos Microempreendedores Individuais (MEIs), apesar dos riscos jurídicos de tais medidas.
Lula também conseguiu articular a votação do fim da escala 6×1 no Senado Federal, o que acabou forçando o adversário a votar nesse sentido, apesar de dizer anteriormente que não concordava com o texto que foi apresentado. O fim da escala 6×1 foi aprovado em 15 de outubro, por 75 votos a favor e um contra.
Flávio Bolsonaro buscou apoio de governadores eleitos
A campanha de Flávio Bolsonaro apostou logo no começo do segundo turno em atos ao lado de governadores eleitos ou reeleitos em primeiro turno para manter a base de apoio aglutinada e também buscar os votos de eleitores que eventualmente não tivessem votado nele apesar da proximidade com os governadores.
Durante o segundo turno, o senador participou de comícios com Sergio Moro (PL-PR), Luciano Zucco (PL-RS), Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Jorginho Mello (PL-SC), Otaviano Pivetta (Republicanos-MT), entre outros. Em algumas cidades, Flávio sequer esteve presente, mas grupos de governadores mobilizaram a base dele em manifestações contra Lula e o PT.
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Debate da Band escancarou campanhas sem propostas
Flávio Bolsonaro e Lula não participaram de nenhum debate no primeiro turno. O candidato do PL até chegou a confirmar presença no encontro da Rede Globo, mas desistiu em cima da hora — o debate acabou sendo cancelado pouco tempo antes do início pela própria emissora. No segundo turno, enfim, os dois apareceram para o confronto direto.
Mas o debate da Band, em 18 de outubro, não foi exatamente o que os eleitores esperavam, ou pelo menos os indecisos. No primeiro encontro frente a frente, os dois candidatos pouco — ou nada — apresentaram de propostas.
O que se viu foi uma troca infindável de acusações para tentar desgastar o adversário. Não por acaso alguns nomes alheios à campanha surgiram, como Lulinha, Daniel Vorcaro, Roberta Luchsinger e André Mendonça.
Tanto Flávio como Lula usaram o debate com a estratégia para usar cortes para as redes sociais. O senador, por exemplo, manteve-se atrás de Lula em vários momentos para aparecer no mesmo corte do adversário. O petista, por sua vez, arriscou frases de efeito.
Com regras mais rígidas, confronto na Globo forçou o foco em áreas de desenvolvimento
Disputa sobre narrativa econômica, segurança pública e troca de ataques permearam os principais momentos do último debate das eleições 2026, que também teve tentativas de desestabilização do adversário com convidados levados à plateia, de lado a lado.
O formato do debate forçou os candidatos a explorarem o que considerassem mais relevante para eleitores das distintas regiões do país e, também, por áreas de desenvolvimento previamente elencadas. No bloco de “tema livre” entre os dois candidatos, nova enxurrada de acusações mútuas, envolvendo polêmica sobre ilha no Rio de Janeiro, preço do uísque e mais.
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Guerra de sigilos ganhou força na reta final da campanha
No fim do debate da Band, Lula desafiou Flávio Bolsonaro a abrir sigilos bancário, telefônico e eletrônico. Apesar de inicialmente classificar a estratégia do petista de “promessa vazia”, o candidato do PL apresentou uma espécie de contraproposta com diversas condições, incluindo a ampliação do sigilo para aliados e familiares, como o filho de Lula, o Lulinha.
A guerra de sigilos inundou de petições o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O ministro André Mendonça chegou a ter que dizer que não seria necessária uma decisão da Corte eleitoral para a divulgação dos sigilos. “O que se quiser divulgar é escolha de cada um, e avaliar essa escolha cabe ao eleitor”, disse.
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