Grupos armados reivindicam ataques contra o regime do Irã
Últimas atualizações em 20/10/2026 – 22:05 Por AFP
Uma coalizão de grupos armados de oposição ao regime islâmico do Irã reivindicou seis ataques contra forças de segurança iranianas no sudeste do país. Os ataques ocorrem em meio ao aumento dos confrontos internos contra a ditadura de Teerã. A emissora americana Fox News revelou nesta terça-feira (20) que as ações foram realizadas por integrantes da Frente dos Combatentes do Povo (JMM), organização que reúne movimentos nacionalistas e grupos militantes da minoria sunita iraniana.
Os ataques ocorreram principalmente na província de Sistão e Baluchistão, que faz fronteira com o Paquistão e o Afeganistão. A região concentra parte da população sunita do Irã, país que é liderado por um regime islâmico xiita.
A organização foi formada em dezembro de 2025 pela união de quatro organizações armadas, incluindo o Jaish al-Adl, grupo militante sunita que já realizava ataques contra militares e policiais iranianos antes da criação da nova frente. Em uma declaração divulgada quando a organização foi fundada, seus integrantes afirmaram que o Irã estava sendo mantido “refém” pelo regime islâmico.
No início deste mês, os militantes reivindicaram uma sequência de ataques contra policiais e militares iranianos. No último dia 2, eles afirmaram ter matado cinco integrantes de uma milícia ligada à Guarda Revolucionária islâmica. Três dias depois, anunciaram uma emboscada contra uma patrulha policial numa estrada, que teria deixado dois agentes iranianos mortos e um ferido.
No dia 7, a organização afirmou ter utilizado explosivos e lança-granadas contra uma instalação policial em Jalgh. No dia seguinte, reivindicou outras duas ações, incluindo um ataque contra um comboio do Exército iraniano perto de Nikshahr. As operações também foram documentadas pelo think tank americano Foundation for Defense of Democracies (FDD).
O aumento da violência foi registrado pela Agência de Notícias dos Ativistas pelos Direitos Humanos (HRANA), organização que acompanha a situação interna do Irã. Em um levantamento divulgado no último dia 12, a entidade identificou pelo menos 63 incidentes armados entre 31 de março e 10 de outubro nas províncias de Sistão e Baluchistão e Kerman.
Segundo os dados reunidos a partir de fontes locais, os confrontos e as operações militares deixaram pelo menos 94 mortos e 33 feridos no período. Já os números divulgados pelas autoridades iranianas apontam 87 mortos e dez feridos.
Em entrevista à Fox News, o especialista em Irã Mardo Soghom afirmou que a intensificação dos confrontos pode obrigar Teerã a deslocar mais militares para o sudeste, justamente quando suas forças ainda enfrentam as consequências da guerra contra Estados Unidos e Israel.
“Os grupos armados não conseguiriam assumir o controle do sudeste, mas podem enfraquecer seriamente o controle do regime”, afirmou. “Se essas forças estão recebendo assistência dos adversários da República Islâmica, sejam os países árabes do Golfo ou mesmo Israel e os Estados Unidos, continua sendo uma questão em aberto”, declarou.
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