Cães entendem a fala humana? Estudo na Science explica como cérebro canino atua

Últimas atualizações em 30/09/2026 – 21:45 Por AFP


Cientistas da Universidade Eötvös Loránd, na Hungria, descobriram que o cérebro canino possui uma capacidade sofisticada de processar a fala humana. O estudo, divulgado nesta quarta-feira (30) na revista Science, revela que os animais conseguem identificar regularidades sonoras em um fluxo contínuo de voz para segmentar palavras, utilizando um mecanismo cerebral muito parecido com o nosso.

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Como os cães conseguem identificar palavras em uma frase?

Quando falamos, raramente fazemos pausas nítidas entre cada palavra, criando um fluxo sonoro contínuo. Os pesquisadores descobriram que os cães, assim como os humanos, utilizam o que chamamos de cálculos estatísticos para detectar padrões. O cérebro animal percebe quais sons aparecem juntos com mais frequência e entende que aquele grupo forma uma unidade, como uma palavra. Esse processo ocorre de forma natural no cérebro canino, permitindo que eles organizem o que ouvem e identifiquem estruturas conhecidas dentro de uma conversa, mesmo sem dominar as regras complexas da nossa gramática.

Por que as consoantes são fundamentais nesse processo de compreensão?

O estudo demonstrou um fenômeno curioso chamado viés consonantal. Tanto em humanos quanto em cães, as consoantes funcionam como o esqueleto das palavras, sendo mais úteis para definir onde um termo começa e outro termina. Embora as vogais tenham mais energia acústica, ou seja, sejam sons mais fortes e fáceis de ouvir, o cérebro canino prefere focar na sequência das consoantes para processar a informação. Essa preferência mostra que a audição dos cachorros evoluiu para dar prioridade à estrutura que realmente ajuda a separar o significado dos sons, e não apenas ao volume da voz do tutor.

Qual tecnologia foi utilizada para monitorar o cérebro dos animais?

Para mapear essa atividade, os cientistas utilizaram a eletroencefalografia, conhecida pela sigla EEG. Trata-se de um método totalmente indolor e não invasivo, no qual eletrodos são colocados no couro cabeludo do animal para registrar as ondas elétricas emitidas pelo cérebro. A equipe focou na sincronização neural, que é a capacidade das células cerebrais de acompanhar o ritmo dos sons em tempo real. Os dados mostraram respostas cerebrais intensas cerca de 450 a 550 milissegundos após o início de uma palavra, provando que o cérebro estava ativamente tentando segmentar a fala que o animal ouvia.