Maior operação entre Europa e América Latina contra crime organizado prende mais de 490 pessoas
Últimas atualizações em 23/09/2026 – 01:40 Por AFP
Uma operação internacional envolvendo forças de segurança da Europa, América Latina e Caribe resultou na prisão de mais de 490 pessoas e na apreensão de quase 157 toneladas de drogas. A ação, batizada de Atlas Nexus, reuniu autoridades de 35 países e foi classificada pela União Europeia (UE) como a maior operação conjunta já realizada entre as duas regiões contra o crime organizado, considerando o volume de apreensões e o número de países participantes.
O balanço da operação foi divulgado pela UE nesta terça-feira (22). Ao todo, mais de 8,6 mil policiais, agentes aduaneiros e integrantes de autoridades judiciais participaram das ações contra redes envolvidas com tráfico de drogas e de pessoas, comércio ilegal de armas, falsificação de documentos e crimes ambientais.
As autoridades apreenderam 156,9 toneladas de entorpecentes, sendo 37,6 toneladas de cocaína e 118,6 toneladas de maconha. Também foram confiscadas 201 armas de fogo, mais de 3,1 mil munições e explosivos, 169 imóveis, 464 peças de joalheria, dinheiro e criptomoedas, ouro e centenas de documentos falsificados. Dezoito vítimas foram localizadas e receberam atendimento durante as ações.
O Brasil esteve entre os países participantes, ao lado de Argentina, Chile, Costa Rica, Equador, Panamá, Paraguai, Peru, Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Portugal e outras nações da Europa e do Caribe.
A Atlas Nexus foi liderada pela Polícia Federal da Bélgica e coordenada por estruturas europeias e caribenhas de combate ao crime organizado, entre elas a plataforma EMPACT, a agência europeia de fronteiras Frontex e a CARICOM IMPACS. Europol, Interpol e Ameripol também participaram do esforço internacional.
Operação mirou redes que atuavam em vários continentes
A preparação da operação começou meses antes. Em abril, representantes dos países participantes se reuniram na Cidade do Panamá para cruzar informações de inteligência, selecionar alvos considerados de alto valor e identificar rotas e métodos utilizados pelas organizações criminosas.
Durante a fase operacional, os agentes inspecionaram 110 aeronaves, 28 embarcações, 415 veículos e 271 contêineres em portos, aeroportos e rodovias. Foram cumpridas 595 ordens de busca. A Interpol também emitiu 37 notificações relacionadas à operação, das quais 17 eram alertas vermelhos para localização e possível prisão de procurados internacionalmente.
Segundo a União Europeia, o objetivo não era apenas interceptar carregamentos ilegais, mas identificar as estruturas responsáveis pelo transporte, financiamento e distribuição dos produtos ilícitos entre diferentes países.
Uma das descobertas ocorreu na Irlanda, onde a polícia encontrou o primeiro laboratório conhecido no país destinado ao processamento de cocaína. A estrutura funcionava dentro de um reboque de caminhão e continha equipamentos e produtos químicos usados para extrair a droga.
A investigação irlandesa começou após autoridades identificarem cocaína escondida em placas de madeira importadas da América do Sul. Foram apreendidos 74 quilos da droga, avaliados em cerca de 5,18 milhões de euros, além de 32 quilos de maconha. Três homens foram presos e posteriormente denunciados.
Na Guiana Francesa, os investigadores identificaram duas novas áreas utilizadas para mineração ilegal de ouro.
Costa Rica concentrou centenas de prisões
A maior quantidade de prisões detalhada no balanço ocorreu na Costa Rica. As forças de segurança do país detiveram 375 pessoas, apreenderam mais de 27,8 toneladas de drogas e 181 armas e resgataram 14 vítimas.
Uma das investigações costarriquenhas tinha como alvo uma organização acusada de transportar cocaína da Colômbia pela costa caribenha do país com destino à Europa. Segundo a União Europeia, a rede teria estabelecido conexões em diferentes setores da sociedade, inclusive nos meios empresarial e policial. Entre os presos estava um dos fugitivos mais procurados da Costa Rica, alvo também de ordens relacionadas à agência antidrogas americana, a DEA.
No Paraguai, as autoridades apreenderam 104,96 toneladas de maconha e prenderam oito pessoas acusadas de tráfico de drogas e armas. Durante as ações no país, dezenas de agentes realizaram inspeções em 50 aeronaves, 150 contêineres e quatro embarcações.
A operação também levou à identificação de novas rotas e métodos usados por redes transnacionais para transportar drogas e outros produtos ilegais entre América Latina, Europa e outras regiões.
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