Entenda como a Geração Z derrubou o governo no Nepal após bloqueio de redes
Últimas atualizações em 18/09/2026 – 01:49 Por AFP
A Geração Z protagonizou uma revolta no Nepal em setembro de 2025 que culminou na queda do primeiro-ministro K.P. Sharma Oli. Motivados pela insatisfação com a corrupção e o bloqueio de 26 redes sociais, milhares de jovens marcharam em Katmandu, enfrentando repressão policial. O episódio voltou ao debate no Brasil nesta semana devido a discussões sobre impunidade e tensões no Judiciário.
Quais foram os principais motivos que levaram à queda do governo nepalês?
A crise foi alimentada por um acúmulo de insatisfações relacionadas à corrupção sistêmica, ao nepotismo e à falta de oportunidades econômicas. O estopim imediato foi a decisão do governo comunista de bloquear 26 plataformas digitais, como Facebook, Instagram e WhatsApp, alegando questões regulatórias. Para a população, a medida foi vista como uma tentativa clara de silenciar críticas e esconder o estilo de vida luxuoso dos filhos da elite política, apelidados de ‘Nepo Babies’, enquanto a maioria enfrentava dificuldades financeiras, gerando revolta nas ruas.
Como os manifestantes se organizaram diante da censura nas redes sociais?
Mesmo com o bloqueio oficial das principais plataformas digitais e aplicativos de mensagens, os ativistas da Geração Z demonstraram grande habilidade técnica para manter a mobilização viva. Eles utilizaram redes privadas virtuais, conhecidas pela sigla VPN, que permitem acessar a internet como se estivessem em outro país, burlando as restrições locais. Além disso, as discussões e o planejamento dos atos migraram para comunidades em plataformas que permaneceram acessíveis, como o Discord e o Reddit, garantindo que a comunicação entre os grupos não fosse interrompida.
Qual foi o desfecho político após a renúncia do primeiro-ministro Oli?
Após a renúncia de Oli em 9 de setembro de 2025, provocada pela morte de pelo menos 19 pessoas e pela invasão de prédios públicos, o país iniciou uma transição política. A ex-presidente da Suprema Corte, Sushila Karki, assumiu o comando de uma administração provisória com o objetivo de organizar novas eleições. O pleito ocorreu em março de 2026 e resultou em uma mudança drástica no Parlamento: o partido Rastriya Swatantra Party (RSP) conquistou a maioria das cadeiras, desbancando as siglas tradicionais que dominavam a política do Nepal há várias décadas.
Por que o caso do Nepal repercutiu no cenário político brasileiro nesta semana?
O termo ‘Nepal’ se tornou um dos assuntos mais comentados no Brasil devido ao julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre uma possível investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. Internautas utilizaram os protestos nepaleses como exemplo de reação popular à percepção de impunidade. Sobre o tema, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro comentou o caso em Washington, desencorajando a repetição do modelo nepalês no Brasil. Ele defendeu que a resposta da direita deve ser dada exclusivamente nas urnas, para evitar episódios de desordem similares aos vistos anteriormente.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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