Trump quer excluir imigrantes ilegais do censo que define número de cadeiras no Congresso
Últimas atualizações em 10/09/2026 – 23:42 Por Gazeta do Povo | Feed
O governo do presidente Donald Trump propôs retirar imigrantes ilegais da população usada para calcular quantas cadeiras cada estado recebe na Câmara dos Deputados dos Estados Unidos após o Censo de 2030.
A mudança foi apresentada pelo Census Bureau, órgão subordinado ao Departamento de Comércio, e ainda passará por consulta pública antes de uma eventual aprovação definitiva.
Hoje, estrangeiros que vivem habitualmente nos Estados Unidos entram nessa contagem independentemente da situação migratória. A proposta altera esse critério e determina que imigrantes ilegais deixem de ser considerados para a distribuição das 435 vagas da Câmara entre os estados.
O governo afirma que pessoas sem autorização para permanecer no país não deveriam influenciar o tamanho da representação parlamentar dos estados onde vivem. Na justificativa oficial, o Census Bureau sustenta que a permanência ilegal não estabelece o tipo de vínculo duradouro com os Estados Unidos necessário para essa finalidade. Residentes permanentes legais continuariam incluídos na conta. O governo ainda avalia como tratar outras categorias de estrangeiros com situação migratória temporária.
Mudança pode alterar força política dos estados
O número de habitantes registrado pelo censo determina como as 435 cadeiras da Câmara são divididas entre os 50 estados.
A cada dez anos, estados que aumentam sua participação na população americana podem ganhar representantes, enquanto outros podem perder vagas. Esses números também influenciam posteriormente o redesenho dos distritos eleitorais.
Por isso, retirar milhões de imigrantes ilegais da base utilizada nesse cálculo pode mudar a distribuição de poder político entre os estados. O governo ainda não apresentou uma estimativa oficial de quais estados ganhariam ou perderiam cadeiras caso a nova regra entre em vigor em 2030.
O Wall Street Journal informou que a proposta poderá retirar da base de cálculo a maior parte dos estrangeiros que não sejam cidadãos ou residentes permanentes legais.
Trump já tentou fazer mudança em seu primeiro mandato
Em 2020, durante seu primeiro mandato, Trump já havia determinado que imigrantes ilegais fossem excluídos da população usada para calcular a distribuição das cadeiras da Câmara.
A iniciativa enfrentou ações judiciais e não chegou a produzir efeitos antes do fim do mandato. O governo de Joe Biden posteriormente revogou a política e manteve o critério que considera a residência habitual das pessoas no país, independentemente do status migratório.
Proposta deve abrir nova disputa judicial
A medida tende a voltar aos tribunais porque a Constituição americana determina que as cadeiras da Câmara sejam distribuídas segundo o número de pessoas existentes em cada estado. Os defensores da regra atual argumentam que o texto constitucional inclui estrangeiros que residem no país, mesmo aqueles em situação ilegal.
Por sua vez, a Casa Branca afirma que a contagem destinada à representação no Congresso pode levar em consideração não apenas a presença física no território, mas também a existência de um vínculo permanente com os Estados Unidos.
A eventual mudança não impediria que imigrantes ilegais fossem encontrados ou registrados durante o Censo. O efeito principal estaria na etapa seguinte: eles deixariam de entrar na população utilizada para decidir quantos deputados cada estado terá na Câmara.
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