Lobista amiga de Lulinha projetava receber R$ 100 milhões por negócios em 2024
Últimas atualizações em 21/08/2026 – 11:07 Por Gazeta do Povo | Feed
A lobista Roberta Luchsinger projetava receber R$ 100 milhões em 2024, segundo mensagens obtidas pela Polícia Federal durante investigação sobre a atuação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, em negócios privados envolvendo o governo do pai dele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A informação consta de mensagens trocadas com um contato identificado como Gustavo Gaspar e foi publicada pela revista Veja nesta quinta-feira (20) e confirmada pelo site Poder360. Segundo a investigação, referências a dinheiro aparecem de forma recorrente nos diálogos.
“Eu quero 100 milhões esse ano”, “pra mim”, “sou modesta”, disse Roberta em uma conversa com Gaspar. As defesas de ambos preferiram não se pronunciar sobre o diálogo.
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Roberta Luchsinger também aparece orientando seu motorista a transportar dinheiro em espécie para diferentes destinatários, com os valores sendo levados em malas. Entre os nomes citados nesse contexto está Fernando Bittar, amigo e ex-sócio de Lulinha.
Em outra conversa, relacionada a uma viagem à África organizada e paga por Roberta, Lulinha pergunta a ela se “a gente tem grana pra bancar essas coisas?” e acrescenta afirmando que “vc que cuida das minhas finanças”. Em outra mensagem, ao comentar a perspectiva de lucro em um dos negócios discutidos pelo grupo, ele comemorou dizendo “coisa boa paporra”.
Outra apuração publicada nesta semana aponta que Roberta se apresentava como representante de Lulinha, afirmando que “eu sou o Fábio”.
As mensagens também indicam que Roberta dizia atuar politicamente “via Palácio” e afirmava ser boa de “costura política”. De acordo com a investigação, ela teria acionado Lulinha em tratativas relacionadas ao Ministério da Saúde e a outros órgãos federais.
A Polícia Federal chegou ao material após obter autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) para quebrar o sigilo telemático da lobista. Segundo relatório policial, a análise das mensagens e documentos revelou um núcleo formado por Roberta Luchsinger, Lulinha e Fernando Bittar.
“Os elementos probatórios obtidos no curso da investigação revelam a existência de um núcleo de atuação permanente e coordenada composto por Roberta Moreira Luchsinger, Fabio Luis Lula da Silva e Fernando Bittar, voltado à interlocução de interesses privados perante agentes e órgãos da Administração Pública Federal”, diz o relatório da investigação.
O que dizem os citados
A defesa de Lulinha contestou a divulgação das informações e classificou o episódio como “vazamento criminoso”. O advogado Marco Aurélio Carvalho afirmou que há uma tentativa de influenciar o processo eleitoral e sustentou que não existem provas que incriminem seu cliente.
A defesa de outros investigados também criticou a divulgação de informações do inquérito e afirmou que ainda não teve acesso integral aos autos. Roberta Luchsinger e Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, não se manifestaram quando procurados, enquanto a defesa de Gustavo Gaspar informou que aguardará acesso aos autos antes de comentar o caso.
O Poder360 também informou não ter conseguido contato com as defesas de Kalil e Fernando Bittar.
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