Advogado de Lulinha diz que “bolsonaristas” da PF tentam “ganhar eleição no tapetão”
Últimas atualizações em 20/08/2026 – 17:50 Por Gazeta do Povo | Feed
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que defende Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, afirmou nesta quinta-feira (20) que parte da Polícia Federal é “bolsonarista” e quer “ganhar a eleição no tapetão” ao investigar o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Carvalho disse que o inquérito não teria sido aberto caso Lulinha fosse filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Se ele [Lulinha] fosse filho do presidente Bolsonaro, sobretudo no governo Bolsonaro, [o inquérito] nem sequer teria sido instaurado. O Bolsonaro mudou superintendentes da Polícia Federal para proteger seus filhos, para proteger o ‘01, o 02, o 03 e o 04’, sua família, primos e afins, os seus amigos e os milicianos com os quais ele governou o país. Essa é a realidade”, disse o advogado, em entrevista à GloboNews.
As declarações foram dadas após a Procuradoria-Geral da República (PGR) pedir ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que um dos inquéritos contra Lulinha seja remetido à primeira instância. Para a PGR, não há autoridade com foro privilegiado investigada que justifique a permanência do caso no Supremo.
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Carvalho também acusou a PF de estar dividida por “ódio e intolerância” e afirmou que haveria dentro da corporação um grupo de delegados e agentes alinhados ao bolsonarismo que estaria tentando conduzir as investigações a partir de conclusões previamente estabelecidas.
“Temos um grande grupo de delegados e agentes bolsonaristas, que querem continuar começando o processo pelo fim: atirando a flecha para depois pintar o alvo, querem condenar sem provas, sem nem sequer um indício”, afirmou.
Ele disse que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, seria uma “vítima” desse cenário e criticou os vazamentos “clandestinos e criminosos” de informações sobre o caso. Segundo ele, a defesa quer identificar os agentes públicos responsáveis pelos vazamentos.
“Queremos saber quem são esses agentes do Estado [que teriam vazado informações], que devem ser mandados embora do serviço público, que estão comprometendo as investigações”, declarou.
Parte “bolsonarista” da PF quer “ganhar a eleição no tapetão”
O advogado afirmou que parte da PF estaria sendo instrumentalizada com objetivos eleitorais. Segundo Carvalho, as investigações contra Lulinha fariam parte de uma tentativa de atingir a campanha de reeleição de Lula.
“Temos um quebra-cabeça de ilações de parte da PF que está sendo instrumentalizada, porque quer ganhar a eleição no tapetão. Porque, no voto, a oposição não ganha, porque não tem um projeto para o país”, criticou.
Lulinha é alvo de três inquéritos no STF. As investigações apuram, entre outros pontos, suspeitas relacionadas a uma suposta atuação junto ao governo federal para viabilizar a comercialização de medicamentos à base de canabidiol. A defesa nega irregularidades.
Carvalho disse ainda ter “respeito e carinho” pelos ministros André Mendonça e Flávio Dino, relatores dos inquéritos envolvendo Lulinha, e pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, mas afirmou que eles seriam “vítimas do aparelhamento” das instituições, que, segundo ele, “fragiliza” a democracia.
O advogado afirmou que já levou suas preocupações sobre a atuação da PF ao ministro André Mendonça durante uma audiência. Ele voltou a dizer que, no início do ano, colocou à disposição da Justiça os sigilos bancário e fiscal de Lulinha.
“Estive [com o ministro] em uma audiência pública. Ele me recebeu com muito respeito, muito carinho, solenemente. Na ocasião, coloquei o sigilo bancário e fiscal do Fábio à disposição da Justiça para poder dar transparência a esse processo”, afirmou.
PF concluiu que Bolsonaro não interferiu em investigações
Em 2020, o então ministro da Justiça, Sergio Moro (PL-PR), pediu demissão e acusou Bolsonaro de pressioná-lo para trocar a direção-geral da PF a fim de obter informações de inteligência de investigações sigilosas sobre familiares e aliados. Dois anos depois, a PGR solicitou o arquivamento do inquérito, por considerar, na ocasião, que não houve crime na conduta do ex-presidente.
No entanto, em outubro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes atendeu a um pedido da PGR e reabriu as investigações. Em abril deste ano, a PF enviou um novo relatório a Moraes que conclui, pela segunda vez, que Bolsonaro não interferiu na corporação.
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