Jornalista alvo da PF por matéria sobre Dino denuncia “criminalização” da profissão
Últimas atualizações em 12/08/2026 – 00:14 Por Gazeta do Povo | Feed
O jornalista Luís Pablo, investigado por suposta perseguição ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, classificou a nova operação da Polícia Federal, realizada nesta terça-feira (11), como uma tentativa de criminalizar o exercício da atividade jornalística.
“Causa perplexidade que, após a identificação e violação do sigilo de uma fonte jornalística — garantia expressamente protegida pela Constituição Federal —, fatos e relações de natureza estritamente privada, sem qualquer vínculo com a produção ou publicação de conteúdo jornalístico, estejam sendo utilizados para tentar me atribuir uma conduta criminosa”, disse o jornalista, em publicação no Instagram.
Mais cedo, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão contra o ex-secretário do governo do Maranhão, Raimundo Cutrim, apontado como suposta fonte do jornalista, e um advogado, que seria ligado a Pablo. A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes.
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Em novembro de 2025, Pablo publicou uma matéria apontando o suposto uso irregular de um carro funcional do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) por Dino e seus familiares.
A autoridade policial alega que Cutrim teria utilizado o cargo público para obter informações de sistemas controlados sobre os veículos usados por Dino.
A assessoria de Dino nega qualquer irregularidade, afirmando que o veículo blindado foi cedido via acordo de cooperação por razões de segurança e que as denúncias são “repetição de inverdades”.
Em março deste ano, a PF realizou uma operação contra Pablo e apreendeu dois celulares, um notebook e um pendrive. Ao analisar os dados, a PF identificou conversas entre o jornalista e Cutrim.
Para o jornalista, o efeito prático dessas ações é a sua “destruição” profissional. Ele questiona como poderá preservar a confiança de futuras fontes se elas agora “passam a ter medo de também serem identificadas e investigadas”.
“Reafirmo que investigar e informar fatos de interesse público não é crime. Criminalizar um jornalista, violar sua fonte e devassar relações privadas em razão do exercício de sua profissão representa uma grave ameaça às garantias asseguradas à imprensa e à própria sociedade”, disse Pablo.
“Eu peço ao Brasil que olhe para o que está acontecendo comigo. Eu fiz o meu trabalho como jornalista e não aceito que isso seja transformado em crime”, ressaltou.
Defesa de Raimundo Cutrim
Em nota, o advogado José Berilo de Freitas Leite, que representa Cutrim, disse ao portal Poder360 que ainda não tinha tido acesso à íntegra dos autos e expressou sua “preocupação técnica quanto à exposição de alguém na condição de fonte jornalística”. A investigação tramita em sigilo no STF.
“Segundo consta da própria decisão que fundamentou a medida, o Sr. Raimundo Cutrim foi identificado como fonte jornalística do referido profissional, tendo a diligência sido determinada pelo Ministro Alexandre de Moraes, do STF, a requerimento da Polícia Federal, em atendimento à representação formulada pelo Ministro Flávio Dino”, disse o advogado.
“A defesa registra sua preocupação técnica quanto à exposição de alguém na condição de fonte jornalística, garantia diretamente vinculada ao sigilo da fonte assegurado pelo art. 5º, inciso XIV, da Constituição Federal, e ao pleno exercício da liberdade de imprensa, valores que devem ser preservados independentemente do desfecho das apurações em curso”, acrescentou.
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