O que se sabe das suspeitas de corrupção de Lulinha no governo
Últimas atualizações em 04/08/2026 – 20:24 Por Gazeta do Povo | Feed
As três investigações que atualmente apuram suspeitas de corrupção e tráfico de influência por parte do empresário Fábio Luís da Silva, o “Lulinha”, filho do presidente, são desdobramentos da investigação maior sobre a chamada “farra do INSS”. O esquema de descontos indevidos deu origem à Operação Sem Desconto, da Polícia Federal.
A partir dessa investigação, foram quebrados os sigilos fiscal e telefônico da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha. Ela teria intermediado, junto ao governo, uma tentativa de favorecer a empresa de Antônio Carlos Camilo Antunes, que ficou conhecido como “Careca do INSS” pelas suspeitas de seu envolvimento no esquema. Ele está preso há quase um ano.
A seguir, reunimos tudo o que se sabe sobre as suspeitas envolvendo Lulinha.
Roberta fez um depósito na conta do chefe de gabinete de Lula
Amiga de Lulinha, Roberta Luchsinger realizou um depósito na conta de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como “Marcola”. O valor exato não foi informado, mas estaria entre R$ 80 mil e R$ 200 mil, tendo sido usado para “problemas familiares”, segundo explicação do próprio Marcola. Ele disse que nunca praticou nenhuma ilegalidade no exercício de suas funções. Lula cobrou explicações.
Roberta visitou órgãos do governo federal 43 vezes
Entre janeiro de 2023 e abril de 2024, Roberta visitou órgãos do governo 43 vezes. Desse total, 41 encontros não foram registrados nas agendas oficiais, apesar de a legislação prever a divulgação de reuniões com autoridades públicas. As informações foram obtidas pelo jornal O Estado de S. Paulo via Lei de Acesso à Informação (LAI).
O ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, foi o mais visitado por Roberta Luchsinger, com 17 registros de entrada. Ela também esteve 16 vezes no Ministério da Saúde. Seu advogado afirmou que as visitas decorreram de sua atividade profissional regular. O governo informou que nenhuma destas reuniões gerou atos administrativos.
Conversas citam ministro da Saúde
Diálogos interceptados pela Polícia Federal no ano passado, a partir de maio, mostraram que o Careca do INSS recomendou que Roberta procurasse o ministro da Saúde — chamado por Camilo de um homem de “mil relacionamentos”, em diálogo divulgado nesta terça-feira pelo Estadão.
A reportagem da Gazeta do Povo procurou Padilha por telefone, mas não obteve resposta. Em nota ao Estadão, ele afirmou que jamais recebeu Roberta desde que assumiu o ministério, em março do ano passado.
Negócios envolveriam cannabis, kits de dengue e suplemento alimentar
Entre as intenções de negócios com o governo, o lobista tentaria introduzir esquemas de distribuição de kits de dengue, cannabis medicinal no SUS e um suplemento alimentar infantil produzido em Goiás, de acordo com as investigações da PF citadas pelo Estadão.
Movimentações financeiras
Dados identificados mostram movimentação de R$ 19,5 milhões em contas de Lulinha em um período de quatro anos, de 2022 a 2026. A defesa sustenta que o vazamento desses dados não comprovaria nenhuma irregularidade nem ligação direta com o lobista. O advogado Marco Aurélio de Carvalho defendeu o arquivamento do caso por “ausência de fatos”.
Viagem custeada por lobista
A defesa confirmou que Lulinha viajou a Portugal com passagens e hospedagem integralmente pagas pelo “Careca do INSS”. O motivo da viagem seria conhecer uma fábrica de cannabis no país estrangeiro.
Defesa protesta contra vazamentos
A defesa de Lulinha considera o conhecimento público dos detalhes da investigação como resultado de “vazamentos reiterados, seletivos e criminosos” e pediu providências ao Ministério da Justiça.
Gazeta do Povo
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