Neonazista brasileiro foragido é preso na Itália
Últimas atualizações em 27/06/2026 – 22:47 Por AFP
A polícia italiana prendeu neste sábado (27) o brasileiro João Guilherme Correa, apontado como um dos líderes da organização neonazista Hammerskin Nation no Brasil. Ele estava foragido e foi localizado em uma fazenda na província de Pavia, no norte da Itália, segundo o jornal italiano La Stampa.
De acordo com a publicação, Correa foi preso pela Digos de Milão, divisão policial italiana especializada em investigações contra terrorismo e extremismo, em colaboração com a Direção Central da Polícia de Prevenção. Após a prisão, ele foi levado à Delegacia de Polícia de Milão para identificação e os primeiros procedimentos da custódia.
A captura ocorreu após um alerta da Interpol. Correa deve permanecer preso na Itália enquanto tramita o processo de extradição para o Brasil.
O brasileiro havia sido condenado a 35 anos e 2 meses de prisão pelo assassinato de Bernardo Dayrell Pedroso, de 24 anos, e Renata Waechter, de 21 anos. O casal foi morto a tiros em 2009, em Quatro Barras, na região metropolitana de Curitiba.
Segundo a acusação do Ministério Público, o crime foi motivado por uma disputa de liderança dentro do grupo neonazista. O assassinato ocorreu após uma festa organizada para celebrar os 120 anos de nascimento do ditador alemão Adolf Hitler.
Correa fugiu do Brasil em março de 2025, às vésperas do julgamento em que foi condenado. De acordo com as informações do caso, ele cumpria prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica e conseguiu a desativação temporária do equipamento sob o argumento de que precisava passar por uma cirurgia de emergência. Ele não compareceu ao julgamento nem à cirurgia.
No mesmo processo, Jairo Maciel Fischer também foi condenado, a 32 anos e 3 meses de prisão. Os dois foram acusados de executar o casal em uma emboscada.
Conforme a investigação divulgada à época pela polícia paranaense, Bernardo e Renata deixaram uma festa neonazista na madrugada de 21 de abril de 2009. O casal teria sido atraído para fora do local e obrigado a parar o carro na BR-476. Em seguida, foi abordado e baleado.
Segundo a investigação, João Guilherme Correa foi apontado como o autor do disparo que matou Renata. Jairo Maciel Fischer teria atirado contra Bernardo. Em depoimentos prestados anos depois, os acusados disseram que os tiros teriam sido acidentais, mas o Ministério Público sustentou a tese de execução ligada à disputa interna pelo comando do grupo.
Na época das investigações, a polícia apreendeu material de propaganda neonazista com os acusados, incluindo bandeiras, publicações, fotos, computadores e documentos relacionados à criação de um país independente baseado na doutrina nazista.
Segundo o La Stampa, Correa chegou à Itália durante verão europeu de 2025. Ele teria passado pela comuna de Biella, onde alugou um apartamento, antes de ser localizado na fazenda onde foi preso, perto da divisa entre as províncias de Pavia e Alessandria.
No momento da prisão, de acordo com o jornal italiano, o brasileiro apresentou um documento falso que não era brasileiro. Após os procedimentos iniciais em Milão, ele deve ser transferido para um presídio enquanto as autoridades italianas analisam o pedido de extradição.
Além da condenação pelo duplo homicídio, Correa também aguarda julgamento por acusação de participar da Hammerskin Nation. Segundo a investigação policial, ele tinha papel de liderança na divisão brasileira do grupo.
A Hammerskin Nation é uma rede internacional neonazista surgida a partir de grupos supremacistas brancos dos Estados Unidos. De acordo com o La Stampa, a organização tem conexões em vários países, inclusive na Itália, e mantém vínculos internacionais com o Combat 18, grupo extremista classificado como terrorista no Reino Unido e em outros países europeus.
O jornal italiano informou que a fuga de Correa na Itália pode ter sido facilitada por contatos dentro da própria rede internacional neonazista. A hipótese se baseia na presença histórica de lideranças e pontos de apoio do movimento no norte da Itália.
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