Navios voltam a cruzar Ormuz após acordo EUA-Irã
Últimas atualizações em 18/06/2026 – 21:08 Por AFP
Monitores de tráfego marítimo registraram a retomada gradual da circulação comercial pelo Estreito de Ormuz após a assinatura do acordo entre os Estados Unidos e o Irã para encerrar a guerra e reabrir a passagem estratégica para o petróleo e gás natural.
A empresa de rastreamento de embarcações Windward registrou, nas últimas horas, a passagem de sete navios que estavam retidos há mais de 100 dias no Estreito de Ormuz. Segundo a companhia, as embarcações começaram a atravessar a rota logo após a assinatura do acordo entre o presidente Donald Trump e Teerã, nesta quarta-feira (17). Cinco navios eram da China, um da França e outro da Itália.
O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, afirmou que o navio italiano Grande Torino, pertencente ao Grupo Grimaldi, foi uma das primeiras embarcações a cruzar Ormuz após o acordo entre Washington e Teerã.
“Boas notícias para a retomada do tráfego comercial e, em particular, para todos os marinheiros a bordo e suas famílias na Itália”, disse Tajani em uma publicação nas redes sociais nesta quinta-feira (18).
De acordo com a Reuters, outros três superpetroleiros com bandeira da Arábia Saudita, carregando juntos cerca de 6 milhões de barris de petróleo, atravessaram o Estreito de Ormuz nesta quinta-feira (18), horas depois do acordo entre Trump e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian.
O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar da Arábia, sendo usada por petroleiros que transportam parte relevante da produção energética do Oriente Médio.
Apesar da retomada do tráfego, analistas do setor marítimo avaliam que a normalização completa ainda deve ocorrer de forma lenta. Relatórios de inteligência marítima apontam que o fluxo de embarcações continua abaixo dos níveis anteriores ao início da guerra, em fevereiro, e que operadores mantêm cautela diante de riscos operacionais na região.
O acordo entre Washington e Teerã abriu um período de 60 dias de negociações para um entendimento definitivo de paz. O texto do memorando assinado nesta quarta prevê a interrupção imediata e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano, embora Israel já tenha indicado que não pretende retirar suas forças do sul do país.
Trump afirmou que os Estados Unidos esperam um “cessar-fogo completo em todas as frentes” e pediu que todos os envolvidos do Oriente Médio mantenham seus compromissos enquanto as negociações avançam. A reabertura de Ormuz representa um dos primeiros efeitos práticos do acordo.
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