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TSE adia decisão sobre pesquisa que ligou Flávio a Vorcaro

Últimas atualizações em 10/06/2026 – 03:36 Por Gazeta do Povo | Feed


O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adiou, na noite desta terça-feira (9), o referendo da liminar do presidente da Corte, Nunes Marques, que suspendeu a pesquisa do Instituto AtlasIntel (BR-06939/2026) por associar o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

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O julgamento foi interrompido por um pedido de vista (mais tempo para análise) da ministra Estela Aranha. Nunes Marques defendeu a manutenção de sua liminar, destacando que alguns quesitos poderiam “prejudicar a espontaneidade” das resposta.

Ele disse que convidará os institutos de pesquisas para debater os critérios utilizados nos levantamentos, pois o que for decidido neste caso servirá de precedente para casos futuros.

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Apesar de não adiantar o voto, o ministro Dias Toffoli afirmou que as pesquisas deveriam ser “liberadas completamente” e, caberia ao eleitor, avaliar os dados.

“O que nós vamos decidir nesse caso, é o futuro. Pesquisa pode tudo ou não pode nada. Ou pode [fazer] perguntas objetivas e claras, sem induzimento? Qual seria seria o limite do que é induzimento e do que não?”, enfatizou Toffoli.

“Nem tendencioso”, acrescentou o ministro André Mendonça. “O decidirmos aqui vai valer para Chico e para Francisco”, afirmou Toffoli. Para Mendonça, os intitutos de pesquisa devem ser “agentes de cooperação da imparcialidade e da lisura do processo eleitoral”.

Nunes Marques autoriza sustentações orais

No início da sessão, o presidente do TSE autorizou sustentações orais das defesas das partes por cinco minutos cada. A liberação das defesas durante referendos de liminares foi aprovada pelo plenário por unanimidade.

A advogada Maria Claudia Bucchianeri, que representa o PL, destacou que “pesquisas confiáveis” são de interesse da sociedade. Ela afirmou que o instituto não anexou a íntegra do áudio ou a degravação do conteúdo apresentado aos entrevistados. Para a defensora, o pedido do PL, na verdade, “não tem lado”.

O advogado da AtlasIntel, Gualter Rafael Maciel Bezerra, destacou a “excelência” e “metodologia inovadora” da metodologia de pesquisas eleitorais on-line.

“A representação não aponta uma violação objetiva à lei eleitoral. O que se tem é uma discordância da metodologia com relação a um fato público e notório”, disse Bezerra.

O advogado argumentou que, no início do ano, a AtlasIntel também fez perguntas sobre a percepção dos entrevistados em relação à participação de Lula no carnaval.

Pedido do PL

A AtlasIntel apresentou aos entrevistados o áudio atribuído ao senador, divulgado pelo site The Intercept Brasil, no qual ele cobra Vorcaro sobre o financiamento prometido ao filme “Dark Horse”.

O Diretório Nacional do PL afirmou que o instituto teria manipulado a opinião dos entrevistados para prejudicar a imagem de Flávio. Segundo o partido, a pesquisa utilizou “estímulos narrativos” negativos antes das perguntas sobre intenção de voto.

O PL apontou ainda que as perguntas associavam diretamente o senador a investigações envolvendo o Banco Master, utilizando termos como “esquema de fraudes financeiras” e “escândalo”.

Ao analisar o pedido, o ministro destacou que as pesquisas eleitorais são instrumentos “poderosos” que podem influenciar a legitimidade do pleito e a “paridade de armas” entre candidatos.

Ele considerou que a sequência de perguntas parece extrapolar a neutralidade estatística para introduzir estímulos que podem “contaminar” as respostas subsequentes. Na liminar, o relator proibiu a empresa de promover e manter a pesquisa em canais oficiais.

Defesa da AtlasIntel

Em sua defesa ao longo do processo, a AtlasIntel argumentou que o questionário respeita sua autonomia metodológica e que os quesitos visavam apenas aferir a percepção do eleitor sobre fatos públicos amplamente divulgados pela imprensa.

A empresa sustentou ainda que o uso de componentes audiovisuais ocorria apenas após a colheita da intenção de voto, o que impediria a indução dos resultados principais.

Em nota divulgada após a liminar, a AtlasIntel defendeu a pesquisa e disse que “a situação será devidamente esclarecida a partir da análise técnica dos fatos e da metodologia empregada e confiamos no colegiado do TSE para afirmar a robustez técnica e a legalidade do estudo”.

Pesquisa AtlasIntel

Após as perguntas sobre as intenções de voto para presidente, a AtlasIntel questionou os entrevistados se ficaram sabendo sobre o áudio, se ouviram a gravação e suas percepções sobre o episódio. O tema é tratado nas perguntas 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18 e 19.

Depois disso, o levantamento questionou os participantes sobre os maiores problemas do Brasil, decisões do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), avaliação de políticos, temas sociais, entre outros. O áudio é apresentado para avaliação dos entrevistados como o último item do questionário (item 48).

A AtlasIntel ouviu 5.032 pessoas por meio de formulário eletrônico entre os dias 13 e 18 de maio de 2026. A pesquisa foi contratada pelo próprio instituto. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. Registro no TSE nº BR-06939/2026.

O que diz o áudio atribuído a Flávio

O Intercept teve acesso a mensagens de Vorcaro com diversos interlocutores que abrangem um período de dezembro de 2024 a novembro de 2025. Diversos celulares do banqueiro são analisados pela Polícia Federal. O site ressaltou que as informações contidas nos diálogos foram cruzadas com dados públicos e sigilosos.

No dia 8 de setembro de 2025, Flávio teria dito em um áudio que, apesar de saber que Vorcaro estava “passando por um momento dificílimo” em razão dessa “confusão toda”, precisava cobrá-lo sobre o financiamento prometido para o filme sobre Bolsonaro.

Cinco dias antes, o Banco Central havia rejeitado a compra do Banco Master pelo BRB. Na mensagem, o senador relata que tinha “muita conta para pagar”. Veja abaixo a íntegra do áudio atribuído ao presidenciável do PL:

“Irmão, preferi te mandar o áudio aqui para você ouvir com calma. Bom, aqui a gente tá passando por um dos momentos mais difíceis da nossa vida, né? Não sei como é que vai ser daqui para frente, como é que isso tudo vai acabar, mas tá na mão de Deus aí. E você também, eu sei que você tá passando por um momento dificílimo aí também, essa confusão toda, não, né? Se você sem saber exatamente como é que vai caminhar isso tudo.

E apesar de você ter dado liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando, tá? Mas enfim, não é porque tá num momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela para trás, cara, tá todo mundo tenso e eu fico preocupado aqui com o efeito contrário do que a gente sonhou pro filme, né?

Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, no num Cyrus [Nowrasteh], os caras, pô, renomadíssimos lá no no cinema americano mundial, pô, ia ser muito ruim, né? Todo efeito positivo que a gente tem certeza que vai vir com esse filme pode ter um efeito elevado a menos. Aí, cara, tá?

Então, se você puder dar um toque, uma posição aí, Daniel, porque a gente precisa saber o que que faz, cara, da vida, porque um tem muita, já tem muita conta para pagar esse mês e o mês seguinte também. E agora que é a reta final, que a gente não não pode vacilar, não pode não honrar com os compromissos aqui, porque senão a gente perde tudo, cara, perde contrato, perde ator, perde diretor, perde equipe, perde tudo. Podemos dar um toque aí, irmão? Desculpa o áudio longo aí, tá? Um abração. Fica com Deus, cara.”

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