Alcolumbre se queixa de pressão por CPMI do Master: “Agredido”
Últimas atualizações em 03/06/2026 – 00:41 Por Gazeta do Povo | Feed
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), reclamou nesta terça-feira (2) das cobranças pela instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o caso do Banco Master. Ele afirmou que os senadores que insistem na criação do colegiado querem “fazer palanque eleitoral”.
“A Polícia Federal, o Ministério Público Federal, a Justiça brasileira, está todo mundo investigando isso. Não sei quem é o culpado. Se é o Banco Central do Brasil, se são as pessoas que fizeram errado, se é a Comissão de Valores Mobiliários, mas está todo mundo investigando isso. Querem abrir mais uma CPMI para fazer palanque eleitoral”, disse Alcolumbre.
O senador relatou ter sido “agredido da direita à esquerda” durante as quatro horas da última sessão do Congresso por não ler o requerimento. Na ocasião, os parlamentares derrubaram o veto do presidente Lula (PT) e permitiram doações a estados e municípios antes das eleições, o que é vedado pela lei eleitoral.
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Senado não será Casa “carimbadora” da Câmara por fim da escala 6×1
O desabafo ocorreu após questionamento do senador Styvenson Valentim (Podemos-RN) sobre a inclusão na pauta da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala de trabalho 6×1, outro ponto de atrito no Legislativo.
Em resposta, Alcolumbre afirmou que o Senado não será apenas uma Casa “carimbadora” do texto da Câmara. Ele afirmou que a proposta será analisada por pelo menos uma comissão.
“Não é razoável que a Câmara passe cinco meses debatendo um assunto, muito relevante para o Brasil, e o Senado seja obrigado a carimbar. Essa é minha percepção, ela não é a favor e não é contra. É a favor do debate”, destacou.
O texto, aprovado pelos deputados no último dia 28, é uma das prioridades do governo para a campanha de reeleição de Lula. A relação dos chefes do Legislativo e do Executivo está estremecida desde que o Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF).
A votação na Câmara só foi possível após Lula e o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), chegarem a um acordo sobre o tempo de transição. Segundo Alcolumbre, a tramitação da PEC será definida após a reunião de líderes, marcada para a semana que vem.
Alcolumbre vê falta de reconhecimento e alerta: “Não me ameace”
Alcolumbre se queixou das críticas de colegas e das redes sociais. Ele disse sentir falta de reconhecimento pelos resultados obtidos pelo Congresso nos últimos anos. Para ele, a “lei tem que ser boa para o Brasil, não para a rede social”.
“Eu faço uma enciclopédia Barsa de todas as coisas boas que fizemos pelo Brasil desde 2019. Mas ainda não achei um elogio, porque esse país está em eleição desde a última eleição”, apontou.
O presidente do Senado disse ser “vítima todos os dias” de ataques. “Muitas vezes o que acontece — e eu passo por isso, sou vítima todos os dias — é que todas as vezes estamos sendo obrigados a escolher um lado ou outro. Não tem condições. Ninguém aguenta mais isso no Brasil”, afirmou.
Na mesma linha, Alcolumbre afirmou que tomará suas decisões de acordo com sua convicção pessoal e não sob pressão de grupos políticos ou da opinião pública.
“Não me obrigue. Não me ameace. Não me ofenda. Não me ataque. Eu vou com a consciência e com meu coração, no tempo adequado, decidir como vai ser o meu voto. Simples assim”, enfatizou.
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