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Direita duela com Centrão e esquerda por CPI do Banco Master

Últimas atualizações em 07/05/2026 – 18:04 Por Gazeta do Povo | Feed

Após as derrotas do governo — com a rejeição de Jorge Messias e a derrubada do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao PL da dosimetria — a disputa pela CPMI do Master se intensificou e virou novo foco de embate entre a base governista, o Centrão e a oposição. A CPMI segue travada no Congresso mesmo com assinaturas suficientes, mas o autor do pedido, deputado Carlos Jordy (PL-RJ), diz que mantém a pressão para forçar a leitura e a instalação da comissão.

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Nos bastidores do Congresso, parlamentares avaliam que a resistência à instalação da CPMI passa pelo impacto potencial sobre partidos do Centrão, grupo que hoje concentra forte influência política e administrativa nas duas Casas. A leitura entre congressistas é de que uma investigação aprofundada poderia atingir mais nomes do Centrão do que da esquerda e da direita que mantiveram proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro e interlocução com o Banco Master.

A operação desta quinta-feira (7) aumentou essa tensão após a Polícia Federal realizar buscas na casa do presidente do Progressistas, Ciro Nogueira (PP-PI) — um dos principais líderes do Centrão. Ele é suspeito de ter recebido propina para defender um projeto de lei favorável a Vorcaro.

Integrantes do Congresso avaliam reservadamente que o avanço das investigações elevou o receio de desgaste político dentro de partidos do Centrão, que hoje resistem à abertura formal da comissão, principalmente por se tratar de ano eleitoral.

Na decisão, a PF afirma ter identificado “suposta conduta do senador em favor do banqueiro, em troca do recebimento de vantagens econômicas indevidas”.

A defesa de Ciro Nogueira afirmou que o senador está à disposição da Justiça e negou irregularidades. Em nota, os advogados disseram que ele “não teve qualquer participação em atividades ilícitas” e repudiaram “qualquer ilação de ilicitude” envolvendo sua atuação parlamentar.

A defesa também criticou medidas baseadas “em mera troca de mensagens” e afirmou que o tema deverá ser discutido nas cortes superiores.

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Oposição vê ambiente favorável para avançar com comissão

Para a oposição, as derrotas recentes do Executivo fortaleceram o ambiente político no Congresso. O líder da oposição na Câmara, o deputado Cabo Gilberto Silva (PL-RN), afirmou que os episódios sinalizam uma reação do Parlamento.

“A rejeição de Jorge Messias e a derrubada do veto [ao PL da dosimetria] mostram que o Congresso começa a exercer sua independência. Esse ambiente fortalece, sim, a pressão pela CPI”, disse.

Apesar disso, a comissão segue sem avanço formal. Segundo o parlamentar, o entrave não está na oposição. “A CPI ainda não foi instalada porque existe resistência política clara. A oposição fez sua parte, está mobilizada e segue cobrando. O que falta é vontade política de quem não quer que os fatos sejam apurados”, afirmou.

Ele acrescenta que a demora acaba gerando desgaste: “Quando há demora, a sociedade começa a questionar quem está tentando evitar que ela aconteça”.

Do lado governista, o diagnóstico também mudou. Após as derrotas, aliados do Planalto passaram a defender a investigação, mas rejeitam o requerimento apresentado pela oposição. A estratégia é clara: apoiar a CPMI, desde que sob outro desenho político.

Parlamentares da base afirmam que topam subscrever pedidos alternativos, como os apresentados por Fernanda Melchionna (PSOL-SP) e Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), e resistem ao texto de Carlos Jordy (PL-RJ).

A avaliação interna é de que o requerimento da oposição amplia o foco para além do caso financeiro e tensiona o Supremo Tribunal Federal (STF), o que, na visão governista, desvirtua o objeto da comissão.

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Opositores citam ajustes possíveis, mas sem abrir mão do foco da CPI do Master

Diante do impasse, a oposição admite discutir mudanças no texto, mas sem alterar o alcance da investigação. “Não há apego à vaidade de texto. Se houver ajustes técnicos, isso pode ser discutido. Mas o essencial não pode mudar: a CPI precisa ter força e liberdade para investigar”, disse Cabo Gilberto.

Ele também rebate críticas de que a comissão estaria sendo usada como instrumento político. “CPI não é instrumento político, é instrumento constitucional de fiscalização. Quem tenta desqualificar, na prática, tenta desqualificar a investigação”, declarou.

A avaliação entre integrantes do Centrão é de que uma investigação ampla poderia atingir lideranças de diferentes partidos com trânsito junto ao sistema financeiro e provocar desgaste institucional em cadeia.

Nesse cenário, o avanço da comissão passou a ser tratado como moeda de negociação política envolvendo pautas de interesse do Congresso, como a derrubada do veto de Luiz Inácio Lula da Silva sobre a dosimetria dos condenados pelos atos de 8 de janeiro.

Publicamente, lideranças negam qualquer acordo para barrar a CPMI, mas reservadamente parlamentares admitem que há esforço para esfriar o tema, protelar decisões e retirar o caráter de urgência da investigação.

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Pressão pela CPI também cresce no Senado

No Senado, o discurso segue a mesma linha, mas com tom mais incisivo. O líder do Novo, senador Eduardo Girão (Novo-CE), nega qualquer acordo para barrar a comissão e afirma que a cobrança é diária sobre o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).

“Se fala em acordo, mas isso não é verdade. Eu continuo cobrando todos os dias. Sou praticamente uma voz no deserto”, afirmou.

Girão aponta três caminhos para destravar a investigação: a instalação direta da CPI no Senado, com base em requerimento que já reúne maioria; a abertura de uma CPMI com apoio de deputados e senadores; ou a judicialização no Supremo Tribunal Federal.

Segundo o senador, os pedidos já foram levados ao STF com base em precedentes que permitem a instalação de comissões mesmo diante de omissão política.

O parlamentar também defende que a comissão tenha alcance amplo e envolva diferentes atores políticos. Para ele, o caso pode ter dimensão inédita no sistema financeiro. “Essa investigação pode revelar um dos maiores escândalos do país. Não vamos recuar”, disse.

Apesar da pressão política, a senadora Damares Alves (PL-DF) avalia que o ambiente no Senado hoje não favorece a instalação imediata da CPMI. Segundo ela, o tema já vem sendo tratado por outras frentes, o que pode reduzir o ímpeto por uma comissão formal.

De acordo com a parlamentar, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) tem intensificado a análise do caso, com acesso inclusive a documentos sigilosos e realização de audiências e diligências. “O Senado está trabalhando. Já há reuniões, audiências e até pré-relatório sendo apresentado”, afirmou.

Na leitura da senadora, esse movimento pode esvaziar a percepção de urgência por uma CPI ou CPMI. “Não sei se o pessoal vai entender a necessidade de instalar a CPI com a comissão já trabalhando o tema”, disse.

Alcolumbre mantém comissão travada

Mesmo com número suficiente de assinaturas em diferentes requerimentos, a CPMI segue sem leitura formal. O controle da pauta e a decisão sobre o andamento continuam concentrados no presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre, que mantém o processo paralisado.

Matéria da Gazeta do Povo, de janeiro de 2026, mostrou que o senador Davi Alcolumbre (União-AP) foi citado nas investigações sobre o escândalo envolvendo o Banco Master após a Amapá Previdência (Amprev) aplicar R$ 400 milhões em letras financeiras da instituição. O investimento colocou em risco recursos destinados à aposentadoria de servidores públicos do Amapá.

As investigações mencionaram a relação política de Alcolumbre com integrantes da direção da Amprev responsáveis pela operação. O então presidente do fundo, Jocildo Lemos, é apontado como aliado político do senador e já havia agradecido publicamente a ele pela nomeação ao cargo.

Outro elo citado no caso envolve Alberto Alcolumbre, irmão do senador, que integrava o Conselho Fiscal da Amprev. O órgão é responsável por fiscalizar a gestão financeira e contábil da fundação, o que ampliou questionamentos sobre a influência do grupo político do senador dentro da estrutura do fundo previdenciário.

Documentos internos mostram que integrantes do comitê de investimentos alertaram previamente para o alto risco da aplicação no Banco Master. Conselheiros chegaram a mencionar preocupações financeiras e “problemas políticos” relacionados à instituição, mas o investimento acabou aprovado mesmo assim.

A situação ganhou repercussão política porque cabe a Alcolumbre, na presidência do Congresso, decidir sobre o avanço de uma comissão para investigar o caso no Parlamento.

A assessoria do senador negou à época qualquer participação dele nas decisões da Amprev e afirmou que não houve interferência política nos investimentos. “É falsa e irresponsável qualquer tentativa de vincular o presidente do Senado a essas nomeações ou decisões”, afirmou.

Jocildo Lemos e Alberto Alcolumbre foram procurados naquele momento e não se manifestaram sobre o caso.

Calendário político também atrapalha comissão sobre o Master

Outro fator que, segundo Damares, dificulta o avanço é o calendário político. Com a proximidade das eleições, a tendência é de menor disposição dos parlamentares para assumir compromissos que exijam presença constante em Brasília.

“CPI exige dedicação, pelo menos dois dias a mais por semana. Não sei se o pessoal está disposto a isso em período eleitoral”, afirmou.

Com o Congresso mais fragmentado e o calendário encurtado, a CPMI do Master deixou de ser apenas uma resposta a suspeitas de fraudes e passou a ocupar papel central na disputa política de 2026.

O governo avalia usar a investigação como contra-ataque, enquanto a oposição tenta manter o protagonismo da pauta e o centrão tem trabalhado para esvaziar o fôlego da CPI, priorizando pautas de maior apelo popular ou econômico nas sessões do Congresso.

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