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Nove reuniões em que o governo Trump constrangeu líderes

Últimas atualizações em 06/05/2026 – 12:35 Por Gazeta do Povo | Feed


Antes do primeiro encontro oficial entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, em outubro do ano passado (anteriormente, haviam se “esbarrado” na Assembleia Geral da ONU, em setembro), havia dúvidas se o mandatário americano submeteria o brasileiro a alguma saia-justa.

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Isso porque Trump e outros integrantes do seu governo vinham acumulando episódios em que constrangeram líderes internacionais e porque os governos do Brasil e dos Estados Unidos estavam em um momento tenso – devido ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o tarifaço americano sobre importações de produtos brasileiros, a inclusão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes na lista da Lei Magnitsky, entre outros pontos.

Porém, no encontro de Trump e Lula na Malásia em outubro, durante a cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), os dois presidentes trocaram gentilezas e sorrisos diante das câmeras.

Nesta quinta-feira (7), os dois mandatários voltam a se encontrar, desta vez na Casa Branca. Assim como em outubro, Brasília e Washington vêm trocando farpas, como as críticas de Lula às ações americanas no Irã e em Cuba e a expulsão dos Estados Unidos de um delegado da Polícia Federal brasileira que havia atuado na prisão temporária do ex-deputado federal Alexandre Ramagem no país norte-americano – o governo Lula reagiu retirando as credenciais de um adido da agência de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) no Brasil.

Haverá novamente cortesia diante das câmeras ou Lula será hostilizado na Casa Branca nesta quinta-feira? Confira abaixo nove episódios em que Trump ou integrantes da sua gestão constrangeram líderes de outros países em encontros diante das câmeras.

Rei da Jordânia

Em fevereiro de 2025, pouco após apresentar uma proposta para a retirada de palestinos da Faixa de Gaza (da qual aparentemente desistiu), Trump insistiu com o rei da Jordânia, Abdullah II, sobre os méritos da ideia, à qual o monarca se opôs.

“Não é algo complexo de se fazer. E com os Estados Unidos controlando aquele pedaço de terra, um pedaço de terra relativamente grande, teremos estabilidade no Oriente Médio pela primeira vez”, disse Trump em reunião na Casa Branca.

“Nós vamos ter [esse plano], vamos mantê-lo e vamos garantir que haverá paz e que não haverá nenhum problema, e ninguém vai questioná-lo, e vamos administrar [Gaza] muito bem”, acrescentou o presidente americano.

Abdullah II, visivelmente constrangido, disse que não era o momento de “se precipitar” e afirmou que havia um plano para a gestão de Gaza elaborado pelo Egito e por outros países árabes.

Narendra Modi

Dias depois, Trump alfinetou o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, ao receber o chefe de governo na Casa Branca e acusar a Índia de práticas comerciais injustas contra os Estados Unidos.

“O primeiro-ministro Modi anunciou recentemente a redução das tarifas injustas e muito pesadas da Índia, que limitam fortemente o acesso dos EUA ao mercado indiano. E realmente é um grande problema, devo dizer”, acusou Trump, enquanto Modi sorria amarelo.

Keir Starmer

Ao lado de Trump durante encontro na Casa Branca no final de fevereiro de 2025, seu vice, J. D. Vance, confrontou o premiê britânico, Keir Starmer, a respeito de regulamentações e ações contra redes sociais americanas no Reino Unido.

“Sabemos que houve violações à liberdade de expressão que, na verdade, afetam não apenas os britânicos — é claro que o que os britânicos fazem no seu próprio país é problema deles —, mas também afetam empresas de tecnologia americanas e, por extensão, cidadãos americanos”, disse o vice-presidente.

Starmer alegou que as ações do governo britânico nessa área não afetaram cidadãos americanos e disse que o Reino Unido tem um histórico de respeito à liberdade de expressão de “muito, muito tempo”.

Volodymyr Zelensky

Num encontro que entrou para a história, em 28 de fevereiro do ano passado, Trump e Vance humilharam publicamente o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, por se recusar a assinar um acordo de cessão de terras raras e outros recursos naturais do seu país para os Estados Unidos sem que fossem oferecidas garantias de segurança para Kiev.

“Você está apostando com milhões de vidas, você está apostando com a Terceira Guerra Mundial, e o que você está fazendo é muito desrespeitoso com este país, que o apoiou muito mais do que muitas pessoas disseram que deveria ter feito”, disse Trump no encontro no Salão Oval da Casa Branca.

Assim como o presidente americano, Vance não deixou Zelensky falar e perguntou ao ucraniano se alguma vez ele havia dito “obrigado” pela ajuda dos Estados Unidos a Kiev desde o início da guerra com a Rússia.

Zelensky acabou expulso da Casa Branca, mas as conversas entre os dois governos prosseguiram nas semanas seguintes e o acordo sobre terras raras com os ucranianos foi assinado no final de abril de 2025.

Em agosto, quando os dois presidentes voltaram a se encontrar na Casa Branca, as hostilidades de seis meses antes foram motivo de piada.

Trump e Zelensky brincaram sobre a roupa do mandatário da Ucrânia, que, ao invés de usar seu tradicional uniforme militar, pelo qual havia sido criticado no encontro de fevereiro, trajou um paletó e uma camisa social escura. Um repórter disse que o presidente ucraniano estava “fabuloso”, e Trump brincou: “Eu disse a mesma coisa”.

Depois, Vance também brincou com Zelensky. “Senhor presidente, contanto que o senhor se comporte, não direi nada”, afirmou, em referência à bronca que havia dado no mandatário ucraniano meses antes. Zelensky reagiu com risadas.

Premiê da Irlanda

Em março de 2025, Trump recebeu na Casa Branca o primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, para as comemorações do Dia de São Patrício, padroeiro do país europeu, e causou um climão ao acusar os irlandeses de se aproveitar dos Estados Unidos.

“Tenho grande respeito pela Irlanda e pelo que eles fizeram, e eles deveriam ter feito exatamente o que fizeram, mas os Estados Unidos não deveriam ter deixado isso acontecer”, disse, sobre a grande presença de empresas farmacêuticas americanas na Irlanda devido a incentivos fiscais.

“Tivemos líderes estúpidos. Tivemos líderes que não tinham a mínima noção, ou digamos que não eram empresários, mas não tinham a mínima noção do que estava acontecendo e, de repente, a Irlanda está com nossas empresas farmacêuticas”, afirmou Trump.

Martin respondeu que a relação comercial entre os dois países é “uma via de mão dupla”, citando as importações de produtos americanos realizadas pela Irlanda e a presença de empresas irlandesas nos Estados Unidos.

Premiê do Canadá

Entre sua eleição, em novembro de 2024, e os primeiros meses da sua gestão, Trump bateu bastante na tecla de que pretendia transformar o Canadá no 51º estado americano.

Quando recebeu o então recém-empossado premiê canadense, Mark Carney, em maio de 2025, o republicano não fez as piadas e declarações inflamadas sobre o tema que havia postado na rede Truth Social, mas não deixou de falar ao primeiro-ministro que achava que o Canadá estaria melhor se fosse parte dos Estados Unidos.

Carney respondeu que o Canadá “não está à venda” e “nunca estará”, mas Trump teve a última palavra. “Nunca diga nunca”, ironizou.

Presidente da África do Sul

Também em maio do ano passado, Trump confrontou o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, também durante visita à Casa Branca, sobre o que chamou de “genocídio branco” no país africano – ou seja, perseguição e violência contra brancos.

Trump mostrou um vídeo, com discursos e entrevistas de Julius Malema, líder do partido de extrema-esquerda sul-africano EFF, com frases como “A revolução exige que em algum momento haja mortes!”, e um comício em que o ex-presidente Jacob Zuma (2009 –2018), que já fez parte do partido de Ramaphosa, cantou uma canção com os versos: “Você é um boer [termo que designa os fazendeiros brancos na África do Sul], nós vamos atirar neles e vocês vão fugir/atire no boer”.

O vídeo também incluiu imagens de uma estrada com várias cruzes no acostamento, com a mensagem “Cada cruz representa um fazendeiro branco que foi morto na África do Sul”, mas não informava a localização da rodovia.

Em resposta, Ramaphosa disse que uma nova lei sobre desapropriação de terras sem indenização em determinadas circunstâncias não tem teor racial e alegou que ela é necessária para promover o “acesso à terra de forma equitativa e justa”.

O presidente sul-africano também apontou membros brancos da sua delegação, que incluíam os golfistas sul-africanos Retief Goosen e Ernie Els e o ministro da Agricultura, John Henry Steenhuisen, para afirmar que não há “genocídio branco” no país.

Starmer (novamente) e Meloni

Na Cúpula da Paz na Faixa de Gaza, realizada em outubro de 2025 no Egito, Trump fez brincadeiras que causaram constrangimento a Starmer e à primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni (bem antes da relação com ela azedar, no mês passado).

Ao discursar no palco, Trump elogiou a beleza de Meloni. “Ela é uma jovem mulher bonita. Se você usar a palavra ‘bonita’ para se referir a uma mulher nos Estados Unidos, é o fim da sua carreira política, mas eu vou arriscar”, disse o presidente americano, que depois se voltou na direção da premiê da Itália.

“Você não se importa de ser chamada de bonita, certo? Porque você é”, acrescentou. Meloni respondeu com um sorriso constrangido.

No mesmo discurso, Trump perguntou bruscamente: “Onde está o Reino Unido?”. Starmer se aproximou, aparentemente entendendo que a pergunta do presidente americano era um convite para que ele falasse para a plateia.

Porém, Trump apenas lhe disse: “É muito bom que você esteja aqui”. O mandatário dos EUA continuou o discurso e Starmer, sem graça, voltou ao ponto do palco onde estava.

Primeira-ministra do Japão

Em março deste ano, Trump recebeu na Casa Branca a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi.

Na conversa com a imprensa no Salão Oval, Trump foi perguntado por um jornalista japonês sobre o motivo de os EUA não terem alertado países aliados sobre o início da guerra contra o Irã, em 28 de fevereiro.

Trump reagiu fazendo referência ao ataque japonês a Pearl Harbor em 1941, que fez os Estados Unidos entrarem formalmente na Segunda Guerra Mundial.

“Quem entende mais de surpresa do que o Japão? Por que vocês não me contaram sobre Pearl Harbor?”, disse Trump ao jornalista. Visivelmente constrangida, Takaichi não respondeu nada, mas arregalou os olhos e respirou fundo.

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