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Oposição vai levar escândalo do Master para campanha eleitoral

Últimas atualizações em 16/04/2026 – 04:16 Por Gazeta do Povo | Feed


A derrubada no Senado, nesta terça-feira (14), do relatório da CPI do Crime Organizado — que previa o indiciamento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do procurador-geral da República — pôs fim à tentativa da oposição de aprofundar investigações sobre o caso Master no Congresso.

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Além disso, abriu espaço para uma reação da própria Corte contra os senadores que apoiaram o parecer, com articulações para apuração por abuso de autoridade e possíveis desdobramentos na esfera eleitoral.

Diante da série de derrotas impostas por decisões monocráticas do STF e por manobras da bancada governista, parlamentares miram a politização do escândalo na campanha eleitoral de 2026, com destaque para os candidatos a senadores comprometidos com o impeachment de magistrados da Corte.

A rejeição do parecer da CPI do Crime Organizado repete o desfecho da CPI do INSS e vem após acordo com o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), para barrar a abertura da CPMI do Master em troca da votação do veto presidencial à redução de penas do 8 de janeiro.

Sem espaço no Legislativo, a oposição trata os episódios como símbolo da blindagem de autoridades e promete “novas batalhas”. Já ministros do STF manifestaram o desejo de retaliar críticos com inelegibilidade, a começar pelo relator da CPI do Crime Organizado, Alessandro Vieira (MDB-SE).

Vieira defendeu a abertura da CPI do Master como forma de continuar as apurações que não avançaram no colegiado sobre o crime organizado. Mas não haverá a leitura por Alcolumbre do requerimento para a instalação da nova comissão de inquérito na sessão do Congresso marcada por ele para o fim do mês.

A CPI do Crime Organizado no Senado foi a oitava comissão, desde 1975, a ter o seu relatório final derrubado pelos próprios senadores, evidenciando a dificuldade recorrente de transformar investigações em investidas políticas efetivas. Os indícios apontados e obstáculos servirão, contudo, de munição eleitoral.

Parlamentares denunciam manobra do governo e blindagem de poderosos

Eduardo Girão (Novo-CE), um dos quatro senadores que votaram a favor do relatório de Vieira, avalia que denúncias de infiltrações do Master nos três Poderes e a “autoproteção de poderosos” sustentam a iniciativa dos que exigem investigações e abertura de processos de impeachment de ministros do STF.

O deputado Maurício Marcon (PL-RS) protestou contra trocas de membros da CPI pelo Centrão para enterrar o relatório, além da ameaça de ministros do STF a senadores. “Imagina o que pode ocorrer com um cidadão comum. Essa tirania precisa acabar e a eleição para o Senado é crucial”, disse.

Nesse clima, o senador Esperidião Amin (PP-SC) disse ter votado a favor do parecer de Vieira apesar de ameaças do ministro Gilmar Mendes, do STF. O deputado Zucco (PL-RS) afirmou: “o sistema se mexeu e impediu responsabilização. Seguiremos nessa trincheira e em novas frentes”.

Senadores oposicionistas criticam o cerceamento de investigações pelo STF

Após condenar a “vergonhosa manobra do governo do PT” para tirá-lo da votação do relatório da CPI do Crime Organizado, o senador Sergio Moro (PL-PR) também apontou o papel do STF, especialmente de Gilmar Mendes para “colocar apurações graves sob o tapete”. “Isso não pode continuar”.

Já Magno Malta (PL-ES), que votou em favor do parecer de Vieira, resumiu o “fim melancólico” da CPI como retrato de sucessivas intervenções do STF, que solaparam prerrogativas. Ele lembrou que a negativa de Alcolumbre em prorrogar investigações que focavam o Master completou o cerceamento.

A chance de instalação da CPMI do Master na sessão do Congresso marcada para 30 de abril é muito baixa devido ao acordo político. Apesar de o requerimento estar protocolado com assinaturas necessárias, a estratégia da pauta única serve justamente para impedir a sua leitura nesta ocasião.

Ministros do STF reagem com críticas, pedido de investigação e defesa institucional

A reação no STF à inclusão de ministros no relatório da CPI do Crime Organizado ganhou força com a formalização de medidas contra o relator, senador Alessandro Vieira. Nesta quarta-feira (15), o ministro Gilmar Mendes pediu à Procuradoria-Geral da República (PGR) a abertura de investigação contra o parlamentar, acusando-o de “abuso de poder”, “desvio de finalidade” e “arbitrariedade” pela tentativa de indiciá-lo por crime de responsabilidade.

O movimento ocorre após declarações feitas no dia anterior. Em sessão da Segunda Turma, o ministro afirmou que “excessos” como os do relatório deveriam ser rigorosamente apurados pela PGR, indicando possível enquadramento por abuso de autoridade. Também criticou o documento, classificando-o como uma “cortina de fumaça” voltada a gerar dividendos eleitorais e comparando a iniciativa a práticas de pressão sobre o Judiciário.

Dias Toffoli acompanhou as críticas e foi além ao defender que a Justiça Eleitoral puna com inelegibilidade políticos que, segundo ele, atacam instituições para obter votos.

No plano institucional, o presidente do STF, Edson Fachin, divulgou nota de apoio aos colegas, repudiando a inclusão dos ministros no relatório e apontando desvio de finalidade da CPI.

No campo eleitoral, as declarações de Toffoli e o histórico recente da Justiça Eleitoral citado pelos ministros apontam para outro eixo de reação: o enquadramento de candidatos que façam ataques ao STF durante a campanha.

A interpretação, já consolidada em decisões desde 2022, é de que críticas que questionem a lisura das instituições podem configurar abuso de poder político, com risco de sanções como a inelegibilidade.

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