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CPMI liga ex-assessor de Alcolumbre a “banco clandestino”

Últimas atualizações em 28/03/2026 – 07:41 Por Gazeta do Povo | Feed


O relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aponta a existência de uma estrutura criminosa de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que serviu como um “banco clandestino” para operadores das fraudes na Previdência Social. Entre as operações suspeitas dessa rede está o pagamento de R$ 3 milhões para Paulo Augusto de Araújo Boudens, que é ex-assessor do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

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A Gazeta do Povo tentou contato com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e com seu ex-assessor, mas não recebeu retorno até a publicação da matéria.

De acordo com a CPMI, a chamada rede era formada por cerca de 40 empresas e teria movimentado aproximadamente R$ 39 bilhões. Ela usava operadores financeiros suspeitos que já haviam sido identificados em investigações contra a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). Assim, de acordo com o relatório, esse banco clandestino atuaria não apenas para os fraudadores do INSS, mas para outros agentes criminosos.

Entre seus objetivos estariam criar uma aparência de legalidade para dinheiro proveniente de crimes e até retirar grandes somas do Brasil por meio de complexas operações financeiras. O dinheiro ilícito passava por várias transferências entre as empresas do esquema para dificultar o rastreio. Depois, os valores eram enviados para corretoras de câmbio, operadores financeiros e fintechs que negociavam criptoativos e moedas estrangeiras.

De acordo com a CPMI, as empresas da rede funcionavam como uma engrenagem de anonimização de pagamentos e evasão de divisas, utilizando empresas de fachada para simular relações comerciais e justificar transferências financeiras.

Uma das empresas da rede, a Arpar, passou a ser alvo da CPMI por ter recebido R$ 150 milhões de Antônio Camilo, o “Careca do INSS”, considerado o principal operador do furto das aposentadorias.

“A ARPAR faz parte de uma complexa rede de empresas destinadas à lavagem de capitais, envolvendo diversas camadas e contando com mais de 40 empresas. Esta investigação identificou diversas empresas que transacionam diretamente com a ARPAR em fluxos financeiros típicos de circularização de valores visando dificultar a o beneficiário final”, diz o relatório da CPMI. 

A reportagem também buscou contato com a Arpar Administração, Participação e Empreendimento S.A., mas não obteve retorno.

O fato de Boudens, o ex-assessor de Alcolumbre, ter recebido R$ 3 milhões dessa empresa – sem que fosse detectada até o momento qualquer prestação de serviço – foi considerado pela CPMI motivo para pedir seu indiciamento.

“É premente a necessidade de os órgãos competentes investigarem a motivação de uma empresa de fachada depositar valores milionários para um dos principais assessores de um Senador da República”, aponta documento apresentado pela CPMI.

O pedido de indiciamento consta no relatório final da CPMI do INSS, que até a noite desta sexta-feira (27) ainda não havia sido votado.

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Blindagem de ex-assessor é apontada como um dos motivos para não prorrogação da CPMI

A não prorrogação dos trabalhos da CPMI tem sido alvo de críticas por parte de parlamentares da oposição, que apontam uma possível tentativa de blindagem.

“Até censura aconteceu, porque eu expus a razão desse conflito de interesse, que não foi prorrogada porque chegou no andar de cima”, declarou o senador Eduardo Girão (Novo-CE) nesta sexta-feira (27).

Segundo ele, a comissão deixou de avançar em linhas de investigação sensíveis, incluindo a apuração de possíveis vínculos entre a rede de lavagem de dinheiro e o ex-assessor do senador Davi Alcolumbre.

Girão citou reportagem da revista Veja para afirmar que “um homem de confiança” de Alcolumbre teria recebido valores milionários de empresa investigada em fraudes contra o INSS. “Nós quisemos trazer aqui esse Sr. Paulo Boldes [sic]. Quem foi que blindou? O PT”, afirmou o senador, ao sugerir que teria havido articulação política para evitar o aprofundamento das investigações.

Ao menos quatro pedidos de convocação de Boudens foram apresentados por parlamentares, mas nenhum foi sequer apreciado. A CPMI também tentou quebrar o sigilo do ex-assessor de Alcolumbre, mas o requerimento foi rejeitado em outubro de 2025.

Ao criticar a não prorrogação da CPMI, o senador Girão também mencionou a blindagem feita ao filho e ao irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e José Ferreira da Silva, o Frei Chico.

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