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Uber notifica Boulos e pede que pare de insinuar corrupção do app

Últimas atualizações em 26/03/2026 – 20:04 Por Gazeta do Povo | Feed


A Uber do Brasil enviou nesta quinta-feira (26) uma notificação extrajudicial ao Ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, contestando declarações públicas que, na visão da Uber, sugerem corrupção de agentes políticos em nome dos interesses da plataforma.

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O app de caronas remuneradas fundamentou sua notificação em dois vídeos publicados recentemente pelo ex-ativista, agora no primeiro escalão do governo Lula. A informação foi antecipada pela coluna Painel, do jornal Folha de S.Paulo, e, mais tarde, a Gazeta do Povo também a obteve com a Uber.

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No vídeo “O iFood e a Uber estão mentindo para você”, publicado no dia 22, no YouTube, o ministro afirmou que “nada me tira da cabeça que tem algum negócio aí” e questiona se políticos que defenderiam a empresa “gratuitamente”.

Na live “Bom dia Ministro”, do último dia 17, no canal oficial do governo Boulos afirmou que influenciadores e políticos estariam “a serviço” de plataformas, e possivelmente, “recebendo dinheiro em troca”.

Aposta na pauta dos apps

Boulos aposta alto na pauta dos aplicativos como uma das bandeiras do governo em ano eleitoral. O ministro, sempre que tem espaço público, fala sobre a tentativa do governo de regulamentar o mercado de aplicativos e compara o tema ao da redução da jornada de trabalho sem corte de salário, o “fim da escala 6 x 1”, dizendo que as empresas são “arrogantes” e “intransigentes” na defesa de seus interesses.

A Uber declarou na notificação possuir políticas “rigorosas de compliance e integridade”, com “tolerância zero” a práticas de suborno e corrupção. A defesa da empresa ressaltou que “críticas e opiniões” divergentes são “inerentes à democracia”, mas não poderiam ser confundidas com a “liberdade para proferir acusações criminais sem comprovação”.

Além da liberdade de expressão

Para a empresa americana, as declarações do ministro extrapolariam limites da liberdade de expressão e atribuem à empresa condutas potencialmente criminosas. No documento, assinado pelos advogados Douglas Leite e Fernanda Cohen, a Uber pede ao ministro que apresente provas, “encaminhe imediatamente detalhes”, “nomes de envolvidos” e valores pagos que suportem as acusações, para que a empresa possa iniciar investigações internas.

A empresa ainda pede que o ministro pare de proferir acusações, consideradas inverídicas e “sem respaldo probatório” contra a companhia.

Procurada, a assessoria do ministro Guilherme Boulos declarou à Gazeta do Povo que não comentaria. À Folha de S.Paulo, Boulos declarou que “não se intimidaria” com a notificação.

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