Entenda a recente crise entre Equador e Colômbia

Últimas atualizações em 18/03/2026 – 11:33 Por AFP


A descoberta na Colômbia de uma bomba não detonada na fronteira com o Equador, que, segundo o presidente Gustavo Petro, foi lançada em um bombardeio vindo do território vizinho, tensionou ainda mais as relações entre os dois países, que estão envolvidos em uma guerra comercial desde fevereiro.

Por volta da meia-noite, Petro declarou em uma reunião de gabinete televisionada que seu país havia sido bombardeado, após a bomba ter sido encontrada perto da fronteira com o Equador.

“Uma bomba lançada de um avião foi encontrada. Os métodos utilizados serão investigados minuciosamente, muito perto da fronteira com o Equador, o que de certa forma confirma minha suspeita, mas é preciso investigar bem, porque estamos sendo bombardeados a partir do Equador e não são os grupos armados”, disse ele.

O presidente também observou que pediu ao seu homólogo americano, Donald Trump, em um telefonema na semana passada, que “tomasse providências e ligasse para o presidente do Equador”, porque seu país não quer “entrar em guerra”.

Confronto verbal

O presidente Daniel Noboa negou na terça-feira a acusação de Petro e afirmou que as recentes operações militares de seu país contra o crime organizado perto da fronteira com a Colômbia, com o apoio dos EUA, ocorreram em território equatoriano.

“Presidente Petro, suas declarações são falsas; estamos agindo em nosso território, não no seu”, disse Noboa no X, onde acusou a Colômbia de abrigar a família do narcotraficante e chefe do crime organizado José Adolfo Macías Villamar, vulgo Fito, bem como a ex-candidata presidencial do movimento Correísta Luisa González.

O presidente equatoriano acrescentou que “enquanto na Colômbia estão dando espaço à família de ‘Fito’, que cruzou a fronteira durante o toque de recolher nacional, coincidentemente ao mesmo tempo que a ex-candidata Luisa González”, seu governo continuará “limpando e reconstruindo o Equador”.

O confronto verbal não cessou e o presidente colombiano respondeu no X que os bombardeios na região da fronteira deixaram “27 corpos carbonizados”, sem dar detalhes dessa informação, e afirmou que a explicação sobre os ataques “não é crível”, em aparente referência à declaração de Noboa.

“Há 27 corpos carbonizados e a explicação não é crível. As bombas estão no chão perto de famílias, muitas das quais decidiram pacificamente substituir suas plantações de coca por culturas legais”, escreveu o presidente colombiano.

Guerra comercial e a luta contra o narcotráfico

Essa nova controvérsia surge em meio à deterioração das relações entre Bogotá e Quito, marcadas por uma guerra comercial iniciada em janeiro pelo presidente do Equador, que impôs uma “taxa de segurança” de 30% sobre produtos colombianos, posteriormente elevada para 50%.

A Colômbia respondeu com tarifas sobre dezenas de produtos e suspendeu o fornecimento de eletricidade ao Equador, enquanto o país andino aumentou o custo do transporte de petróleo bruto colombiano através de seus oleodutos.

Da mesma forma, na semana passada, o Equador e os EUA assinaram um acordo que formaliza a abertura do primeiro escritório do FBI (Departamento Federal de Investigação) no país, que terá como objetivo apoiar o combate aos grupos internacionais do crime organizado.

Este acordo complementa as operações militares conjuntas que ambos os países iniciaram no início deste mês no Equador contra organizações “terroristas”, nas quais bombardearam e destruíram um campo de treinamento dos Comandos de Fronteira, um grupo dissidente das guerrilhas colombianas das FARC.

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