Nunca gostei de The Walking Dead
Desde a primeira cena eu fui atropelado por algo muito maior que gostar. Foi amor
Últimas atualizações em 10/03/2026 – 14:51 Por Redação GNI
Alguém me perguntou se eu ainda gosto ou curto The Walking Dead.
Respondi com muita sinceridade:
“Nunca gostei e nunca curti The Walking Dead.”
A reação foi instantânea:
“Como não? Você tinha bonecos, alguns carrinhos, quadros e ainda tinha a coleção completa. Como pode dizer que nunca gostou? Já enjoou?”
Ri discretamente, para não parecer irônico ou desrespeitoso.
Respirei fundo e respondi:
“Você está muito enganado. Nunca gostei, porque nunca apenas curti a saga do xerife Rick Grimes. Desde a primeira cena eu fui atropelado por algo muito maior que gostar. Foi amor. Curtir e gostar se aproximam mais de uma paixão, e paixões costumam ser passageiras. Amor é diferente. Amar vai além da passagem do tempo. O amor atravessa os anos, permanece vivo e continua existindo em nossas memórias. Até aqueles que partiram dentro da história continuam vivos em nossas lembranças. Na minha memória.
Eu amei, amo e continuarei amando. Existem, alguns episódios específicos, que sei as falas dos personagens.
Não tenho bonecos. Sou o único no Brasil que possui a coleção de miniaturas oficiais TWD Eaglemoss. Não tenho apenas carrinhos. Tenho as miniaturas da moto do Daryl, do carro do Glenn, do trailer do Dale e também o relógio original que o Hershel deu ao Glenn. Me falta a viatura do xerife. É verdade também que tenho três quadros, possuo a katana da Michonne e a Lucille do Negan.
E sim, também é verdade que tenho a coleção completa lançada em DVD, a coleção completa lançada em Blu-ray, as onze temporadas e os cento e setenta e sete episódios guardados em um HD externo. Tenho todos os cento e setenta e sete episódios nas nuvens, no Drive. Também mantenho os cento e setenta e sete episódios em um canal pessoal no Telegram e ainda tenho todos eles guardados em um notebook antigo.
Escrevi um livro sobre a série em 2020. Ele foi lançado em 2021. Agora estou terminando o segundo livro, ainda sem data de lançamento. Também criei um book com duzentas fotos icônicas da série. Meu antigo cachorro se chamava Negan. Sou o dono do site The Walking Dead Forever. Tenho uma caixa Personalizada de MDF, com fotos oficiais, que comprei nas Lojas Americanas. Todos os dias, TODOS, na hora do almoço assisto a um episódio. No escritório, enquanto trabalho, a televisão fica ligada na PlutoTV onde passa todos os episódios em loop. E provavelmente estou esquecendo de muitas outras coisas.”
Depois disso, instalou se um silêncio estranho. Talvez porque, naquele momento, a pessoa tenha percebido algo simples. Eu nunca apenas gostei de The Walking Dead.
Eu transformei aquela história em parte da minha própria história. E quando algo entra assim na nossa vida, deixa de ser entretenimento e passa a ser memória, identidade e sentimento que o tempo não consegue apagar.
São quase R$ 15.000,00 de investimento em um amor…
Parede do meu quarto

