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Flávio Bolsonaro diz que vai acionar TSE por alegoria de “famílias”

Últimas atualizações em 16/02/2026 – 15:52 Por Gazeta do Povo | Feed


O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou que pretende acionar “rapidamente” o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a homenagem feita ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no desfile da Acadêmicos de Niterói na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro deste domingo (15).

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No seu perfil no X, o senador postou críticas à possível propaganda antecipada e uso de recursos públicos para realizar ataques pessoais ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e à “família”. A crítica é uma referência à ala caracterizada como “famílias em lata de conserva”, criticando, segundo a escola o “neoconservadorismo enlatado”.

Outros parlamentares também criticaram a ironia que classificaram como “ataque à família tradicional” e “desrespeito à fé cristã”.

“Calma, a esquerda não odeia a família conservadora não. É tudo conspiração… lembre-se disso na hora de votar esse ano, evangélico. Obs: a globo colocando como “crítica”, mas se fosse cristãos fazendo essa crítica contra qualquer outra religião, era a terceira guerra mundial”.”, escreveu o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) em seu post no X.

A deputada Carol de Toni, que deixou o PL no início do mês, pós divergências internas sobre sua candidatura ao Senado por Santa Catarina, também manifestou sua contrariedade. “Que fique como um alerta para quem ainda acha que é exagero. Está translúcido: o alvo são as famílias e os valores conservadores”, postou com um trecho do vídeo da apresentação.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou que é “inadmissível ridicularizar a fé de milhões de brasileiros” e disse que a ala foi um deboche contra evangélicos e contra o modelo de família defendido por setores conservadores. Segundo a parlamentar, manifestações culturais não podem servir para atacar crenças religiosas.

Já o senador Sergio Moro (União Brasil-PR) classificou a homenagem como “desrespeitosa com a família” e afirmou que o desfile teve viés político explícito. Em publicações no X, Moro comparou a exaltação ao presidente a práticas de culto à personalidade.

Influenciadores de direita também publicaram notas de repúdio, afirmando que o Carnaval não deveria servir de palco para “militância ideológica”. “Uma ala inteira ridicularizando os conservadores, colocando-os em latas de conserva? O que isto tem a ver com a história do Lula? É claramente uma crítica ideológica à direita conservadora”, postou o empresário e ativista Alexis Fonatyne.

Oposição já questionou inelegibilidade

Outras iniciativas já foram tomadas pela oposição em meio ao debate sobre inelegibilidade de Lula — que marcou os anos anteriores com decisões judiciais envolvendo lideranças políticas de diferentes espectros.

Nesta segunda (16), o deputado Filipe Barros (PL-PR) anunciou que pretende protocolar uma ação no TSE contra o desfile em homenagem ao presidente. 

Na 5ª feira (12.fev), o Tribunal Superior Eleitoral rejeitou, por unanimidade, a liminar apresentada pelo partido Novo e pelo deputado Kim Kataguiri (União Brasil-SP) para proibir o desfile da Acadêmicos de Niterói.

A relatora, ministra Estella Aranha, indicada por Lula ao cargo, afirmou que não cabe censura prévia e que eventual irregularidade deve ser analisada em momento oportuno.

No Tribunal de Contas da União, o Novo também apresentou representação para tentar impedir o repasse de R$ 1 milhão da Embratur à escola de samba. A área técnica da Corte recomendou barrar os recursos, mas o relator do caso, ministro Aroldo Cedraz, decidiu negar o pedido de suspensão.

Paralelamente, a senadora Damares Alves e o deputado Kim Kataguiri (União Brasil-SP) moveram ações contra o presidente por causa do enredo da agremiação. As iniciativas foram rejeitadas pela Justiça Federal.

Enredo homenageia Lula e critica “valores engessados” da família

A alegoria fazia parte do enredo que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Intitulado “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, o desfile narrou a trajetória do petista desde a infância em Pernambuco, passando pela migração para São Paulo, a atuação como líder sindical no ABC paulista durante a ditadura militar e sua chegada à Presidência da República.

A escola construiu uma narrativa épica, com alas representando a seca nordestina, o chão de fábrica, as greves históricas e programas sociais associados aos governos petistas. O refrão do samba exaltava a “esperança que brota do povo” e a “força do operário”, numa clara celebração da biografia política de Lula.

A ala das “latas de conserva” surgiu no setor do desfile que tratava dos embates ideológicos contemporâneos. Segundo integrantes da escola, a proposta era simbolizar o que chamaram de “pensamentos engessados” ou “valores conservados no tempo”.

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