Tudo sobre O Iluminado de 1980
O Iluminado não é um filme de sustos fáceis. Kubrick constrói o medo de forma lenta, quase clínica, explorando o silêncio, os corredores intermináveis e a sensação constante de ameaça
Últimas atualizações em 24/01/2026 – 13:12 Por Redação GNI
O Iluminado, lançado em 1980 e dirigido por Stanley Kubrick, é um dos filmes mais debatidos e reinterpretados da história do cinema. Inspirado no romance de Stephen King, o longa não se limita a adaptar a obra literária, mas a recriá la sob uma ótica própria, mais fria, simbólica e perturbadora. O resultado é um filme que divide opiniões, mas que se consolidou como um marco absoluto do terror psicológico.
A história acompanha Jack Torrance, um escritor frustrado que aceita trabalhar como zelador de inverno do isolado Hotel Overlook, localizado nas montanhas do Colorado. Ele se muda para o local com a esposa Wendy e o filho Danny, um menino sensível que possui habilidades psíquicas chamadas de iluminação, capazes de revelar acontecimentos passados e futuros.
Com a chegada do inverno, o hotel fica completamente isolado do mundo exterior. Aos poucos, forças sombrias ligadas ao passado violento do local começam a influenciar Jack, que mergulha em um processo gradual de loucura. Danny passa a ter visões cada vez mais perturbadoras, enquanto Wendy percebe que algo está profundamente errado. O isolamento, a presença do sobrenatural e a instabilidade emocional de Jack conduzem a família a uma espiral de terror e violência.
O Iluminado não é um filme de sustos fáceis. Kubrick constrói o medo de forma lenta, quase clínica, explorando o silêncio, os corredores intermináveis e a sensação constante de ameaça. A câmera se move de maneira calculada, criando um clima opressor que faz o espectador sentir o peso do isolamento junto com os personagens.
A atuação de Jack Nicholson é central para o impacto do filme. Seu Jack Torrance é inquietante desde o início, o que reforça a ideia de que a loucura não surge apenas do sobrenatural, mas já estava latente. Shelley Duvall entrega uma Wendy vulnerável e angustiada, cuja fragilidade contrasta com a brutalidade crescente do marido. Já Danny Lloyd, no papel de Danny, surpreende pela naturalidade e pela carga dramática que sustenta em silêncio.
Kubrick se afasta do terror convencional ao apostar em símbolos, ambiguidades e interpretações abertas. O hotel parece um organismo vivo, carregado de memórias, violência e repetição histórica. Nada é totalmente explicado, e esse é um dos grandes méritos do filme. O medo nasce justamente daquilo que não se esclarece por completo.
Embora Stephen King tenha criticado a adaptação por considerar o personagem de Jack menos humano e mais frio, o filme ganhou vida própria. O Iluminado é menos sobre fantasmas e mais sobre a deterioração da mente, o poder destrutivo do isolamento e a violência que se repete de geração em geração.
O Iluminado é uma obra que resiste ao tempo porque não se apoia apenas no terror, mas na atmosfera, na psicologia e na inquietação constante. É um filme que provoca, desconcerta e permanece na memória muito depois do fim. Não é uma experiência confortável, mas é justamente isso que o torna tão poderoso e essencial para quem aprecia cinema em seu estado mais inquietante.


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