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O filme brasileiro “O Agente Secreto” milita em torno da esquerda socialista?

Uma visão realista sobre o filme

Últimas atualizações em 22/01/2026 – 16:59 Por Redação GNI

Uma pergunta recorrente é: O filme brasileiro “O Agente Secreto” milita em torno da esquerda socialista.

A resposta é sim, com absoluta certeza, ainda que de forma indireta e simbólica. O filme brasileiro O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho e protagonizado por Wagner Moura, se passa no Brasil de 1977, no auge da chamada ditadura militar, período que muitos definem como de reação estatal às ações consideradas subversivas. A narrativa está centrada no impacto político e social desse regime sobre a vida das pessoas comuns.

A obra acompanha a história de um professor e pesquisador que foge da perseguição política e passa a viver sob constante vigilância do Estado, em um ambiente marcado pela repressão e pelo medo. O personagem tenta reconstruir sua vida, mas é permanentemente assombrado por um passado que o regime não permite esquecer.

O filme trata, sobretudo, da perseguição política e da repressão a opositores do regime militar brasileiro, evidenciando como o Estado monitorava, constrangia e ameaçava indivíduos identificados como portadores de ideias consideradas subversivas ou hostis ao poder instituído. Nesse contexto, a esquerda aparece menos como organização formal e mais como representação simbólica de toda dissidência política e intelectual.

Não se trata, portanto, de uma trama clássica de espionagem internacional, com confrontos diretos entre blocos ideológicos organizados, como a esquerda socialista e forças antagônicas em moldes de Guerra Fria. A tensão política se constrói no cotidiano, na vigilância silenciosa, na suspeita constante e na pressão psicológica exercida sobre o protagonista, que tenta sobreviver e proteger seu filho em meio a esse ambiente opressor.

Assim, embora o filme retráteis um regime militar que reprime vozes críticas e opositoras, O Agente Secreto não é um filme sobre um agente militar combatendo diretamente a esquerda socialista. Trata se de uma narrativa que utiliza o pano de fundo histórico da repressão política para explorar temas como vigilância, medo, memória e resistência individual, expondo um Estado que se coloca como barreira absoluta contra qualquer forma de contestação ideológica.

Como complemento, o filme também funciona como um exercício de memória histórica, convidando o espectador a refletir sobre como o poder, quando concentrado e sem limites, tende a tratar toda divergência como ameaça, independentemente de ela se manifestar de forma armada, política ou apenas intelectual.

Léo Vilhena 

BlockBusters Brasil

Redação GNI

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