32 jacarés são encontrados mortos e com os rabos arrancados no Pantanal

Pelo menos 32 jacarés foram encontrados mortos no Pantanal mato-grossense na última semana. Todos estavam com os rabos cortados, virados para cima, no Corixo do Leme, em Barão de Melgaço (MT), e na Ilha do Piraim, já na divisa do município com Poconé (MT).

Em junho deste ano, nove jacarés já haviam sido encontrados mortos em Porto Jofre, região próxima ao local.

De acordo com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), a equipe de Fiscalização de Fauna da Sema esteve no dia 29 de setembro no Corixo do Leme, que dá acesso à Baía Siá Mariana, para verificar denúncias sobre a morte dos jacarés.

Proprietários de pousadas e moradores da região informaram que os animais tinham sido abatidos alguns dias antes da vistoria, o que impossibilitou o reconhecimento dos autores do crime.

A consultora de turismo, Camila Sacal, estava a trabalho na região quando encontrou os animais e gravou vídeos percorrendo o canal, de barco, na última sexta-feira (1°).

“Passei a primeira vez no local e fiquei chocada. Para sair da pousada em que eu estava, tive que passar pelo rio várias vezes, e a cada vez que eu ia encontrava mais jacarés mortos e sem os rabos. Só o que contei foram 32. Mas tinham mais carcaças por outros locais”, relata.

Camila ficou mais três dias na região e as carcaças permaneceram no local.

“Quando desci na comunidade, os moradores falaram que isso vem acontecendo e que alguém anda tirando o rabo para vender o filé do animal”, narra.

A consultora conta que vai ao Pantanal há anos e que nunca havia se deparado com uma situação desta.

“Fiquei assustada. Quando eu ia nos outros anos, o Pantanal tinha muitos bichos. No ano passado morreram muitos, por causa das queimadas. E agora essa situação. Não tem água, não tem animais. Não está como antigamente. Foi muito triste ver”, diz.

Por meio de nota, a Sema informou que os moradores foram orientados para que comuniquem imediatamente ao órgão caso verifiquem alguma atitude suspeita ou prática de crimes ambientais, possibilitando que os infratores possam ser autuados de forma imediata.

Kethlyn Moraes e Leandro Trindade, g1 MT e TV Centro América