Extratos mostram repasses de Vorcaro para empresa de Toffoli
Últimas atualizações em 15/02/2026 – 11:24 Por Gazeta do Povo | Feed
O fundo usado pelo empresário Daniel Vorcaro para comprar a parte do resort de luxo Tayayá que pertencia à empresa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, investiu R$ 35 milhões no empreendimento, segundo extratos obtidos pelo jornal O Estado de S.Paulo e revelados neste domingo (15).
Os novos dados reforçam o conteúdo das mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) em que Vorcaro pedia ao cunhado, o pastor Fabiano Zettel, que fizesse aplicações milionárias no empreendimento – nos textos, o banqueiro dizia que estava sendo cobrado dos pagamentos.
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As datas dos aportes feitos por Zettel coincidem com o período da costura da sociedade entre o fundo e a empresa do ministro, mostra a reportagem.
Zettel, pastor da igreja Batista da Lagoinha e casado com a irmã de Vorcaro, era o único cotista do fundo de investimentos Leal, administrado pela Reag Investimentos – também alvo de investigação da PF no caso Master.
O Leal, por sua vez, é o único cotista do Fundo de Investimento em Participações (FIP) Arleen, usado para comprar a participação da família Toffoli no resort no Paraná.
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Fundo usado por Vorcaro comprou participação em resort por R$ 3,3 milhões
No dia 27 de setembro de 2021, o Arleen passou a ser sócio das empresas Tayaya Administração e DGEP Empreendimentos, gestora e a incorporadora dos terrenos onde foi construído o Tayayá em Ribeirão Claro (PR), respectivamente.
Nesse dia, o fundo adquiriu metade da participação de R$ 6,6 milhões em capital social da Maridt S.A. – empresa da qual Toffoli é sócio – nessas duas companhias, ou seja, no resort.
Os R$ 3,3 milhões em capital social comprado pelo fundo não representam o tamanho real do negócio, mas apenas o valor que o fundo usou para adquirir sua parte do controle da empresa.
Com o investimento na gestora e na incorporadora, o FIP Arleen adquiriu também uma parte do empreendimento, avaliado em mais de R$ 200 milhões.
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Extratos mostra repasses de R$ 20 milhões em 2021 e de R$ 15 milhões em 2025
No total, os documentos obtidos pelo jornal mostram que o fundo investiu R$ 35 milhões no resort, do qual a Maridt era sócia.
Segundo os extratos revelados pela reportagem, nos dias 28 de outubro e 3 de novembro de 2021, Zettel fez aportes de R$ 15 milhões e de R$ 5 milhões no fundo Leal. Nas mesmas datas, o Leal aplicou R$ 14.810.038,35 e R$ 4.936.679,35 no FIP Arleen.
Embora o pastor já tenha declarado ter deixado o fundo em 2022, documentos e mensagens trocadas com Vorcaro mostram que ele continuou como cotista do Leal e manteve aportes no Tayayá por meio do fundo após a data.
Em maio de 2024, Vorcaro questionou Zettel, por mensagem de WhatsApp, sobre repasses ao resort dos irmãos Dias Toffoli. “Você não resolveu o aporte do fundo Tayayá? Estou em situação ruim”, escreveu o banqueiro ao cunhado, que respondeu: “Te perguntei se poderia ser semana que vem e você disse que sim”.
Zettel então apresentou uma lista de pagamentos para Vorcaro aprovar. Na relação, consta em uma das linhas: “Tayaya – 15″, o que, para a PF, corresponde ao repasse de R$ 15 milhões ao empreendimento. Vorcaro respondeu: “Paga tudo hoje”.
Em agosto do mesmo ano, o banqueiro mencionou novas cobranças a Zettel pelos pagamentos. “Aquele negócio do Tayayá não foi feito?”, perguntou. O pastor respondeu que já tinha transferido o recurso para o intermediário responsável por efetivar o pagamento, mas que o aporte final dependeria dessa pessoa.
Nas mensagens, Vorcaro se mostrou irritado. “Cara, me deu um puta problema. Onde tá a grana?”, perguntou. Zettel respondeu: “No fundo dono do Tayayá. Transfiro as cotas dele”.
Nas conversas, Vorcaro não explicou quem o estava cobrando pelos repasses. Diante da pressão, no entanto, ele pediu a Zettel que levantasse todos os aportes realizados no Tayayá para prestar contas. “Me fala tudo que já foi feito até hoje”. Zettel, então, respondeu: “Pagamos 20 milhões lá atrás. Agora mais 15 milhões”.
Os extratos obtidos pelo Estadão mostram que Zettel aportou R$ 15 milhões no dia 8 de julho de 2024 no fundo Leal. O FIP Arleen, contudo, não recebeu o mesmo aporte do Leal na mesma época. Somente no dia 10 de fevereiro de 2025 o Leal aportaria exatos R$ 14.521.851,17 no Arleen.
No dia 21 do mesmo mês, a Maridt S.A., do ministro Toffoli e seus irmãos, vendeu o restante de sua participação na incorporadora e na administradora do Tayayá à PHB Holding, empresa do advogado Paulo Humberto Barbosa, que já prestou serviços para a JBS.
Toffoli nega ter recebido pagamentos de Vorcaro
O ministro e a defesa de Vorcaro não se manifestaram sobre as novas informações reveladas pelo jornal. Os advogados de Zettel disseram que não iriam se manifestar, segundo a publicação.
Na quinta-feira (12), em nota divulgada após a PF apresentar relatório ao STF que mostram conversas de Vorcaro com Toffoli, o ministro admitiu ter recebido dividendos da empresa Maridt, que tinha participação no resort, mas negou ter recebido pagamentos de Vorcaro.
“A Maridt é uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado, prevista na Lei 6.404/76, devidamente registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal do Brasil. Suas declarações à Receita Federal, bem como as de seus acionistas, sempre foram devidamente aprovadas”, afirmou na nota.
“O Ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do Ministro. De acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, no artigo 36 da Lei Complementar 35/1979, o magistrado pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador.”
No mesmo dia, o ministro deixou a relatoria do caso Master no STF. O inquérito foi redistribuído e agora está com o ministro André Mendonça.
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