Gabriel Nascimento, um cantor admirável
Uma entrevista exclusiva dom um ícone da adoração fluminense
Últimas atualizações em 03/02/2026 – 11:12 Por Redação GNI
Talento e humildade em uma única pessoa. Gabriel Nascimento é o ex-vocalista da banda carioca de rock cristão Sinal de Alerta, conhecido por sua atuação no grupo até meados de 2021, quando foi substituído por Thiago Nascimento.
Cantor, bacharel em Teologia e colunista no portal Reviva Gospel, Gabriel narra suas experiências na música gospel, incluindo passagens por bandas como Trindade/Contagem Regressiva e ministérios de louvor.
Gentilmente, concedeu essa entrevista exclusiva para a Rede GNI.
Rede GNI | Gabriel, conte-nos um pouco sobre sua infância e como você descobriu sua paixão pela música.
Uma coisa que eu sempre gostei muito de fazer é cantar. Como eu amo cantar!!! Cantar na igreja, e em casa, também. Cantar no chuveiro, é uma coisa que eu sempre gostei. Cantar ouvindo algumas músicas seculares, que além dos louvores, também fizeram parte da minha infância. Eu cantava as músicas da Turma do Balão Mágico, do Trem da Alegria, e dos musicais que a Rede Globo produziu, como A Arca de Noé, Pirlimpimpim, Turma do Pererê, e do Daniel Azulay e a Turma do Lambe-Lambe. Dizem até, que eu cantava algumas músicas do Roberto Carlos, mas disso eu não me lembro bem. Enfim, a música sempre fez parte da minha vida. Na minha família, tinha os meus pais, que também gostavam de cantar, e os meus irmãos que, também, sempre escutavam música. Um deles até tocava bateria, na igreja. Infelizmente, eu não aprendi a tocar nenhum instrumento. O meu instrumento sempre foi a minha voz.
Rede GNI | Quando você percebeu que queria seguir a carreira de cantor cristão?
Foi na minha adolescência, que eu entendi, que Deus tinha um propósito comigo, através da minha voz, e desse dom, que Ele próprio me deu, que é o dom de cantar. E já com esse entendimento, eu busquei o aperfeiçoamento, estudando música na Escola de Música Villa Lobos, e também fazendo aulas de canto. Daí, eu comecei a exercer esse dom ministerialmente, na igreja. Durante a minha adolescência, eu também fui apresentado a inúmeros cantores, conjuntos, bandas e grupos, que ajudaram a escrever a história da música cristã brasileira. Depois que comecei a atuar na igreja, como ministro de louvor, passaram a me convidar para cantar em casamentos. Mas, o meu sonho sempre foi fazer parte de uma banda, que fosse mais do estilo de louvor congregacional, como a Banda César & Cia, que se apresentava muito na Vigília da Congregacional de Bento Ribeiro, e não numa banda de rock gospel. Só que o primeiro convite que eu recebi, foi para ser o vocalista de uma banda de rock gospel chamada Trindade, que tinha como propósito falar sobre missões, cumprindo o ide registrado no evangelho de Mateus 28.19,20: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que Eu vos tenho mandado; e eis que Eu estou convosco todos os dias, até a consumação do mundo. Amém”. E eu me sentia um verdadeiro missionário, pois como vocalista da banda, comecei a ir em lugares que jamais tinha ido antes. O repertório da banda era composto de louvores congregacionais, e também de canções autorais.
Rede GNI | Como surgiu o convite para integrar a banda Sinal de Alerta?
Depois de me ver e ouvir interpretando alguns sucessos do Sinal de Alerta, nos ensaios da banda Trindade, e depois nos lançamentos do CD da banda, que passou a se chamar Contagem Regressiva, o Milton Jorge falou de mim, para o Samuel Ribeiro. Eles queriam um segundo vocalista, para dividir o repertório com o Chocolate, nas apresentações da banda. Sendo assim, se eu aceitasse, poderia continuar como vocalista da banda Contagem Regressiva, pois a voz principal da banda continuaria sendo a do Chocolate. E foi o que aconteceu no início. Eu e o Israel Carvalhaes (baixista), fizemos uma apresentação como free-lancer, num show em outra cidade, que eu não me recordo o nome. Foi a primeira vez que eu ganhei um cachê, fazendo o quê eu mais gosto: cantar. Aos poucos, cada um dos integrantes da banda Contagem Regressiva foi tomando um rumo diferente, e a banda parou de se apresentar. Com isso, eu pude me dedicar mais ao Sinal de Alerta, ainda como um segundo vocalista. Até que em meados de 2002, o Chocolate resolveu não mais continuar como o primeiro vocalista da banda, e eu acabei assumindo o posto, no lugar dele.
Rede GNI | Qual foi a experiência mais marcante que você teve durante os anos com a banda?
Puxa!!! Foram tantas, desde a gravação do álbum Música no Ar, até as participações em programas de rádio e televisão, conhecendo outras bandas e outros cantores, como o Manga, Carlinhos Félix, a banda Rebanhão, a banda Complexo J, o Conjunto Sonoros, com os quais eu tive a oportunidade de participar, também dos eventos promovidos pelo nosso querido e saudoso amigo Lednilson da Jussara, que foram as edições do Reviva Gospel a Festa.
Rede GNI | Houve algum momento de dificuldade ou crise dentro da banda que você lembra com mais intensidade?
Logo depois do lançamento e divulgação do álbum Música no Ar, estava tudo indo bem, até que uma lamentável tragédia assolou a família de um dos integrantes da banda. Com a morte do seu filho primogênito, Samuel Ribeiro decide sair da banda. Ele, que não só é um dos primeiros integrantes da banda, mas principalmente, um dos seus idealizadores, também era o produtor, compositor, e criador de arranjos e solos belíssimos. Por conta disso, a banda acabou entrando em mais um “ano sabático”.
Rede GNI | Você pode compartilhar alguma lembrança engraçada ou curiosa dos bastidores da banda?
Em um dos eventos que a banda participou, quando o Chocolate ainda estava na banda, logo após o evento, nós fomos conduzidos até uma sala, onde foi servido um jantar. Após a cirurgia nos olhos, o Chocolate continuou enxergando com uma certa dificuldade. E na hora em que ele foi se servir, ia pegando a mousse de chocolate, pensando que era feijão. Foi muito engraçado.
Rede GNI | Quais são os principais aprendizados que você teve enquanto era vocalista da Sinal de Alerta?
Eu passei a ter mais segurança, dentro do estúdio, graças aos dois excelentes produtores que a banda teve, Samuel Ribeiro e Vinny Narciso. Muito obrigado!!!
Rede GNI | Em 2020 você decidiu deixar a banda. O que motivou essa decisão e como foi o processo de transição?
Eu percebi que o meu tempo, como vocalista da banda, havia chegado ao fim, por motivos pessoais. O processo de transição, como sempre, é complicado. Mas, faz parte.
Rede GNI | Após sair da banda, como você estruturou seu ministério solo?
Eu não segui carreira solo. Eu simplesmente passei a me dedicar mais ao Ministério de Louvor, na igreja em que eu congregava, e ao meu canal oficial no YouTube, só isso.
Rede GNI | Como surgiu a ideia de criar o canal no YouTube chamado “Nossa Trilha Sonora”?
O nome do canal é Nossa Trilha Sonora, pois é aonde eu interpreto as canções, que não somente marcaram a minha vida, como também a vida de outras pessoas. Tudo começou em março de 2020, já em meio ao Lockdown. A ordem era para ficarmos em casa, por conta da Pandemia. Até as igrejas foram obrigadas a fecharem as portas. Foi aí, que num dia, mexendo no Facebook, eu me deparei com um vídeo do meu amigo e irmão em Cristo Wellington Costa, cantando uma das minhas canções preferidas do grupo Prisma Brasil. Pra quem ainda não conhece, o Wellington é um excelente cantor e professor de canto. Ele também participou do coral que cantava na novela Vai na Fé, na Rede Globo, e faz back vocal para vários cantores. O vídeo do Wellington despertou em mim o desejo de fazer o mesmo, durante a Pandemia. E comecei de um modo bem simples, sem cenário e microfone. Esse ano, o canal completa 6 anos, e tem 721 inscritos.
Rede GNI | Qual é a mensagem principal que você deseja transmitir aos seus seguidores através do seu canal?
Uma mensagem de fé e esperança. A mensagem da cruz. A mensagem do evangelho da graça. A mensagem do Senhor Jesus. A Palavra de Deus cantada, em versos e poesias.
Rede GNI | Você já compôs músicas que marcaram profundamente sua vida ou sua fé? Pode nos contar sobre alguma delas?
Sim, eu tenho algumas composições. Mas, a primeira delas, foi na época em que eu ainda era vocalista da banda Trindade. Uma das programações que nós fomos convidados à participar, foi no lançamento da pedra fundamental de uma Igreja do Evangelho Quadrangular em Jaconé. Eu voltei tão radiante de lá, que acabei compondo a minha primeira canção, chamada Exaltação, que foi gravada pelo Ministério de Louvor da Igreja Batista Missionária Betel em Duque de Caxias, com a minha participação. Foi aí, que eu também comecei a compor outras canções, principalmente para apresentação de crianças, entre outras.
Rede GNI | Como você equilibra a vida pessoal com a carreira musical e o ministério?
Hoje em dia, eu estou me dedicando mais a minha vida pessoal, pois ainda estou me recuperando de uma Paralisia de Bell, que sofri no apagar das luzes do ano de 2025, no dia 28 de novembro.
Rede GNI | Quais desafios você encontrou ao iniciar seu trabalho solo, comparado à experiência na banda?
Eu não tenho nenhum trabalho solo, somente o meu canal, onde eu interpreto as canções que marcaram não só a minha vida, como também a vida de outras pessoas. Sem maiores pretensões, como se fosse um hobby, entende? Sendo assim, não encontrei tantos desafios assim. A diferença, é que na banda eu cantava acompanhado por ela, e no meu canal eu canto com playback.
Rede GNI | Você tem algum mentor ou referência na música cristã que influenciou seu estilo?
As Comunidades Evangélicas, como Nilópolis, Vila da Penha, Comunidade da Graça e o Pr. Adhemar de Campos, que influenciaram muito os ministérios de louvor, nas igrejas. A era dos louvores congregacionais, dos cânticos de adoração, de celebração, de guerra e de júbilo. Nessa época, graças ao cantor Marcos Góes e o álbum A Vigília, eu passei a frequentar a Vigília de Bento Ribeiro, onde conheci o Pr. Cláudio Claro com o Tabernáculo de Davi, e o Pr. Moysés Malafaia com o Projeto Vida Nova de Irajá. E na Vigília, não rolava só boa música, mas também excelentes ministrações e pregações, dos pastores Carlos Martins e Álvaro Trindade. Agora, além dos grandes nomes da música cristã brasileira, eu também comecei a ouvir os grandes nomes da música gospel internacional, como Marcos Witt, Michael W. Smith, Ron Kenoly, entre outros. Eu posso dizer que todos eles, sem exceção, exerceram grande influência sobre mim, como ministro de louvor.
Rede GNI | Como você vê o papel da música na vida de quem busca crescimento espiritual?
Música é a arte de manifestar os diversos sentimentos da alma humana, através do som. Através da música, eu manifesto o que a minha alma sente diante de um texto, ou de uma passagem da Bíblia, que é a Palavra de Deus, com o objetivo de edificar a fé de outras pessoas.
Rede GNI | Você planeja lançar álbuns ou projetos futuros no canal? Pode nos adiantar algo?
No momento, não estou planejando nada. A minha preocupação e cuidados estão direcionados apenas para a minha recuperação e saúde. Assim que eu me recuperar, pretendo voltar a gravar conteúdos para o meu canal.
Rede GNI | Para quem está começando na música cristã, que conselho você daria sobre perseverança e fé?
Mantenha-se ligado com o céu, mas também com os pés no chão. Não se iluda, pois não é fácil viver só de música. Busque de Deus o melhor conselho, e peça sempre a Ele o direcionamento certo, para todas as áreas da sua vida.
Rede GNI | Existe algum projeto social ou ministério ligado à música que você gostaria de desenvolver no futuro?
Eu já tive a oportunidade de cantar em asilos, e gostei muito da experiência. Que venham outras oportunidades como esta. Eu irei, com o maior prazer.
Rede GNI | Por fim, Gabriel, olhando para sua trajetória, qual mensagem de esperança e inspiração você gostaria de deixar para seus fãs e para os jovens cristãos que o acompanham?
Olha, se for para me basear na minha trajetória, a mensagem que eu tenho pra vocês é o que o salmista escreveu: “Deleita-te também no SENHOR, e te concederá os desejos do teu coração. Entrega o teu caminho ao SENHOR; confia nele, e ele o fará” (Salmos 37.4,5).
Entrevista concedida à Mica Noronha.
NOTA DO EDITOR:
Ao editar esta entrevista, preciso, antes de concluí-la, contar uma atitude de humildade do Gabriel Nascimento que me desconstruiu.
Ao ser informado de que ele assumiria, ao lado do Chocolate, os vocais da Banda Sinal de Alerta, a quem admiro e sou muito fã, tive uma atitude reprovável da qual me envergonho profundamente.
Em uma conversa com o Gabriel, disse textualmente que ‘nunca aceitaria ele como vocalista da Banda Sinal de Alerta’, pois o Chocolate era ‘a voz’ da banda.
Com uma voz terna e humilde, ele me disse: “Tudo bem, meu irmão, você gostar dele. Não vim para tomar o lugar de ninguém. Vim para escrever a minha própria história.”
Essa resposta ‘me quebrou ao meio’. Fiquei envergonhado da minha postura, pedi mil desculpas e aprendi a admirar não somente o cantor e ministro de louvor, mas passei a admirar o homem cristão Gabriel Nascimento.
Sei que estamos resolvidos, mas é imperioso renovar meu pedido de perdão.
Forte abraço, meu irmão e amigo.
Léo Vilhena
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