Maduro recruta à força população carente para sua milícia

Últimas atualizações em 28/08/2025 – 22:26 Por Gazeta do Povo | Feed


Após fracassar na tentativa de recrutar voluntariamente cidadãos civis para a chamada Milícia Nacional Bolivariana, o regime de Nicolás Maduro passou a recorrer ao recrutamento forçado em regiões carentes da Venezuela.

A estratégia autoritária foi denunciada por moradores do estado de Bolívar, onde militares estariam levando jovens que trabalham em mineradoras diretamente das áreas de extração de ouro para obrigá-los a integrar a milícia chavista.

Segundo denúncia feita em reportagem do portal argentino Infobae, o processo começou na madrugada desta quinta-feira (28), após o fiasco do alistamento ocorrido no final de semana. No sábado (23) e domingo (24), imagens e relatos de fontes independentes da Venezuela, veiculados nas redes sociais, mostraram praças e pontos de alistamento completamente vazios, em contraste com a propaganda oficial transmitida pela televisão estatal do regime.

O Infobae relatou que uma moradora de Tumeremo, no estado de Bolívar, denunciou que militares do regime chegaram de surpresa à cidade para levar à força jovens que trabalhavam nas minas de ouro – atividade que emprega grande parte da população local.

“Tínhamos informação vaga de que às 10h da noite ia começar o recrutamento, mas não acreditávamos que fosse acontecer de verdade. […] Deus! Levaram todos os [jovens] que encontraram na rua”, disse de forma anônima ao Infobae.

Apesar de concentrar parte das maiores jazidas de ouro, ferro e bauxita da Venezuela, o estado de Bolívar é hoje uma das regiões mais carentes do país. Informações da imprensa internacional apontam que a região está entre as mais afetadas pela falta de renda e de serviços básicos.

Em cidades do estado, como Ciudad Guayana, escolas chegaram a dar aulas ao ar livre devido ao colapso da infraestrutura, agravado pela escassez de água, eletricidade e alimentação escolar, segundo reportagem do jornal El País. A abundância mineral contrasta com a vulnerabilidade social da população local, marcada por pobreza extrema, exploração no garimpo e ausência de políticas públicas.

Pressão sobre servidores públicos

O fracasso no alistamento do final de semana também expôs a pressão do regime sobre funcionários estatais, mas não os de alto escalão – que desfrutam dos privilégios e luxos de serem aliados de Maduro, e sim sobre os trabalhadores de base, que são completamente dependentes de Caracas para sobreviver. A emissora CNN en español registrou que muitos desses servidores foram obrigados a comparecer aos centros de inscrição para dar a impressão de que estavam lotados. Para comprovar que haviam cumprido a determinação, vários tiraram fotos diante das mesas de registro e enviaram as imagens diretamente a seus chefes.

Como exemplo, o veículo independente La Prensa Informativa, da Colômbia, denunciou em seu perfil no Facebook que funcionários da estatal venezuelana Corpoelec, do setor de energia, com salários que variam entre US$ 1 e US$ 5 por mês, foram obrigados a comparecer aos pontos de alistamento durante o final de semana. O portal divulgou inclusive a imagem de uma convocatória oficial que determinava a mobilização. O documento, assinado pelo ministro chavista da Energia, Jorge Eliéser Márquez, e pelo presidente da estatal, José Luis Betancourt, exigia que os empregados se apresentassem no local indicado, portando documento de identidade, em uniforme institucional, e assinassem listas de presença controladas pelo regime.

Ausência de voluntários

Mesmo com a mobilização estatal, a adesão popular à milicia de Maduro foi ínfima. Membros da oposição venezuelana disseram que as fileiras vazias no final de semana revelaram a perda de capacidade de mobilização do chavismo.

“As praças vazias de toda a Venezuela anunciam o futuro que se aproxima. Não tenham medo, eles sim estão sozinhos”, disse a líder opositora María Corina Machado.

Ilegalidade do processo

Conforme informou o Infobae, a atual Constituição venezuelana proíbe explicitamente o recrutamento forçado de venezuelanos para força militar em seu artigo 134.

“Toda pessoa, de acordo com a lei, tem o dever de prestar os serviços civis ou militares necessários para a defesa, preservação e desenvolvimento do país, ou para fazer frente a situações de calamidade pública. Ninguém pode ser submetido a recrutamento forçado. Toda pessoa tem o dever de prestar serviços nas funções eleitorais que lhe forem atribuídas em conformidade com a lei”, diz o artigo.

Apesar disso, as denúncias reveladas pelo portal argentino indicam que a medida foi implantada ilegalmente, tudo para inflar os números da milícia.

“Aonde podemos recorrer se quem está levando nossos familiares é a própria autoridade?”, questionou a moradora de Bolívar ao Infobae.

Sem respaldo popular e pressionado pela ofensiva militar dos Estados Unidos no Caribe, o ministro da Defesa chavista, Vladimir Padrino López, anunciou nesta quarta-feira (27) que o ditador Maduro ordenou uma nova rodada de alistamentos para a Milícia Bolivariana durante essa sexta-feira (29) e sábado (30), em mais de mil pontos espalhados por todo o território nacional. Padrino confirmou o padrão autoritário do alistamento, ao afirmar que todas as empresas públicas e privadas deverão formar “corpos combatentes”. Na prática, isso significa que servidores públicos de base serão obrigados a servir na milicia chavista.

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