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O drama das buscas por família ainda desaparecida após temporal no Rio

Cerca de 48 horas após o temporal que causou o deslizamento de um barranco no bairro Engenho Pequeno, em São Gonçalo, em que uma mulher morreu e mais de 235 moradores ficaram desalojados, o município segue em estado de emergência. Na manhã desta quarta-feira, após virarem a madrugada retirando escombros, o Corpo de Bombeiros continua as buscas por três pessoas da mesma família que ainda estão desaparecidas.

Ontem, o município de São Gonçalo, na Região Metropolitana, voltou a sofrer com fortes chuvas. Imagens compartilhadas por moradores nas redes sociais mostravam trechos de ruas alagadas.

No entanto, a tragédia de segunda-feira está longe de chegar ao fim. Parentes e familiares de Alan Santiago Cabral, de 45 anos, Rosilene Pereira Santiago, 34, e Maitê Santiago Pereira, 4 anos, aguardam por qualquer informação que ajude as equipes de buscas.

— Maitê era uma criança muito feliz. Animada e muito carinhosa. A mãe dela estava radiante porque conseguiu matricular a menina na creche. Era para ser um ano mágico e divertido. Eu vim aqui ajudar a família assim que fiquei sabendo do desabamento. É muito triste. Não consigo imaginar que algo assim iria acontecer com ela, uma menina tão feliz — relatou Elza Irani.

Rosilene e Alan eram casados há 11 anos. Segundo a irma de Alan, Janaina Santiago, faziam três meses que o casal voltou a morar em São Gonçalo após passar um período em Portugal. A angústia de não ter informações do paradeiro deles, misturada com a esperança de que o irmão, a cunhada e a sobrinha ainda sejam encontrados com vida, aumenta a dor dos familiares em mais um dia de buscas.

— Está muito complicado e difícil. Minha mãe tem 83 anos e está passando mal. A casa dela foi condenada porque caiu um pedaço. Meu irmão morava atrás da casa da minha mãe. Eu estava trabalhando quando tudo aconteceu. Minha sobrinha me ligou dizendo que a casa tinha caído. Eu fiquei pedindo Uber, mas ninguém estava aceitando corrida porque estava tudo alagado. Eu passei a noite aqui — afirmou Janaina dando informações de como andam as buscas:

— Eles (os bombeiros) falaram que escutaram batidas nos escombros. Eu peço a Deus que eles siam com vida. Se eu pudesse estar lá metendo a mão nos entulhos. Eu estou dormindo a base de remédio. Minha mãe está arrasada. Ela e a Maitê eram muito próximas — desabafou.

O Corpo de Bombeiros já localizou a carteira pessoal e de trabalho do Alan. Além disso, três celulares que pertencem às vítimas também foram encontrados. A descoberta aumenta a suspeita de que a família estaria em casa no momento da tragédia. Uma retroescavadeira também está sendo usada para perfurar uma laje onde foram ouvidos as batidas.

Parentes e vizinhos acompanham o trabalho de buscas aguardando mais informações.

Jéssica Marques e Fabiano Rocha
Extra Rio de Janeiro